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IndieLisboa 2017: crítica a "The Challenge"

por Roni Nunes, Segunda-feira, 15.05.17

Crítica originalmente postada em C7nema (http://www.c7nema.net/critica/item/46631-the-challenge-por-roni-nunes.html)

 

 

No Antigo Regime, e daí para trás, só os ricos mereciam ser retratados. Na pintura, na literatura, na História, os aristocratas, os mercadores/banqueiros, os altos dignatários da igreja eram dignos de registo: o povo desvaneceu-se em séculos de invisibilidade. No século XIX, as coisas começaram a mudar.

 

O cinema é produto da 2ª Revolução Industrial e sempre falou dos pobres. Seja na fantasia, seja no realismo. O de autor, em particular, chafurda há décadas na vida dos desfavorecidos. Fernando Meirelles, depois de um impecável registo da favela (Cidade de Deus) prometeu um filme sobre os muito ricos – cuja visão seria igualmente brutal e chocante. Por alguma razão nunca o fez – como tampouco outros: no cinema realista, os detentores do dinheiro foram remetidos a um perverso e confortável silêncio.

 

The Challenge fala de falcões. Eles têm direito à manicura e um naipe de gente que vive para cuidá-los. Paga-se por um exemplar 22 mil euros num leilão. O Qatar é uma das ilhas da fantasia do Médio Oriente – a terra dos “sheiks”, que fazem o deserto reluzir com suas carrinhas topo de gama. Um deles tem uma lamborghini; com ele viaja o seu jaguar (o animal) de estimação – talvez a mais impressionante mostra simbólica de poder.

 

O italiano Yuri Ancanari expõe em museus e é reconhecido internacionalmente no universo do videoarte. The Challenge é a sua longa-metragem cinematográfica de estreia. Planos fixos, panorâmicas, cores exuberantes, cenários interiores cujos luxos falam mais do que as palavras: o retrato visual da opulência – filmado como álbum de família, com elegância a condizer.

 

Quanto à falcoaria, esta era documentada na mais remota Antiguidade. Consiste em lançar um falcão treinado para, com a ajuda das preces a Alá, destroçar um pobre pombo. Os árabes, há muitos séculos, são dos seus mais entusiasmados praticantes e continua ser a forma de desporto favorito de uma elite que não tem que prestar contas a ninguém. Enquanto o petróleo existir, eles lá estarão; fora da “petrolândia”, a escumalha despedaça-se em statements suicidas pelo Ocidente afora – ao passo que estes últimos acham justificações esdrúxulas para chacinar sociedades em busca do ouro negro.

 

A falcoaria, tal como a opressão, está destinada a perpetuar-se no tempo

 

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por Roni Nunes às 19:41

Curtas-metragens que estiveram em destaque no IndieLisboa

por Roni Nunes, Segunda-feira, 15.05.17

Artigo originalmente postado em C7nema: (http://www.c7nema.net/festival/item/46605-dez-curtas-metragens-a-nao-perder-no-indielisboa.html)

Dez curtas-metragens a não perder no IndieLisboa

POR RONI NUNES

 

 

O formato teve sempre amplo espaço no festival: vários realizadores que estreiam no certame com curtas retornam anos depois quando realizam uma longa. O C7nema foi saber com um dos seus diretores, Miguel Valverde, alguns dos destaques desta edição que é, segundo ele, umas das “mais politizadas de sempre”. O IndieLisboa iniciou quarta-feira (03/05) e segue até 14. As sessões de curtas-metragens iniciam dia 6 (sábado).

 

HOT WINTER: A FILM BY DICK PIERRE

Jack Henry Robbins, EUA, fic., 2016, 18'

Competição

Jack Henry Robbins é filho de Tim Robbins e Susan Sarandon e, segundo Valverde, faz uma espécie de “soft porn” erótica para tratar da temática ambientalista. “Nós percebemos claramente, em relação às personagens, que um deles é o Trump e as mulheres estão relacionados aos escândalos nos quais ele está envolvido”. 

 

DEKALB ELEMENTARY

Reed Van Dyk, EUA, fic., 2016, 20'

Competição

Filme que fala do fenómeno, cada vez mais comum na América, dos homens que entram em escolas armados para atirar em que passar pelo caminho. Em “Dekalb Elementary”, baseado numa história real,  assiste-se 20 de ume tensa negociação entre um destes sujeitas e a secretária, que tenta controlá-lo para não ser morta, ao mesmo tempo que funciona como intermediária nas negociações com a polícia. “É muito contigo, com ótimas interpretações”, assinala o diretor do Indie.

 

NYO VWETA NAFTA

Ico Costa, Portugal/Moçambique, fic., 2017, 21'

Competição

Um dos sinais distintos desta produção portuguesa filmada em Moçambique é evitar o realismo mágico normalmente associado ao cinema africano. Aqui o tratamento é de um tema quotidiano (no centro da história está o desaparecimento de uma mulher) que poderia ter acontecido em qualquer outro país. Premiado no Visions du Reel, já passou por Roterdão e neste momento faz uma importante carreira no circuito de festivais.

 

THE WELFARE OF TOMÁS Ó HALLISSY

Duncan Campbell, Irlanda/Reino Unido, fic./doc., 2016, 30'

Competição

Documentário e ficção ao mesmo tempo, o filme trata do retorno às origens de Duncan Campbell, premiado artista do Reino Unido. Quando decide regressar à sua terra natal, o realizador dedica-se a pensar no que é ser irlandês e comparar o país atual com aquele que deixou e nos anos 70.

 

DER WOHLWOLLENDE DIKTATOR/THE BENEVOLENT DICTATOR

Bernhard Braunstein, Martin Hasenöhrl, Albert

Lichtblau, Áustria/França, doc., 2016, 35'

Competição

O título do filme já é muito sugestivo e conta a história de um judeu foragido do holocausto e hoje vive no Malawi, país que não prima propriamente por um governo democrático. Ocorre que este personagem tem uma bela vida no país, recebendo pensões de Alemanha e Inglaterra e defendendo ideias perturbadoras sobre como é bom viver sob uma ditadura. Como observa Valverde, “é um filme que levanta imensas questões”.

 

115 DB

Lucile Chaufour, França, doc., 2017, 40'

Silvestre

Uma boa sugestão para fanáticos de automobilismo e de motas. O documentário uma prova no estilo das “24 Horas de Le Mans”, só que de motas. “Basicamente estamos nos bastidores a sentir a adrenalina, estamos a ver tudo o que está a acontecer, as mudanças de condutor, as máquinas, os computadores… tudo”.

 

GREEN SCREEN GRINGO

Douwe Dijkstra, Holanda, doc./exp., 2016, 16'

Silvestre

Politicamente é muito interessante, embora à partida possa parecer ingénuo”, diz Valverde desta proposta inusitada. O holandês Douwe Dijkstra foi ao Brasil na altura do golpe da destituição de Dilma e saiu pelas ruas com um “chroma key” a filmar pessoas. Ao mesmo tempo, lança o seu olhar de estrangeiro para tentar perceber o que se está a passar…

 

SEVINCE/WHEN YOU LOVE

Süheyla Schwenk, Alemanha, fic., 2016, 30'

Silvestre

Obra que retrata o amor proibido entre duas mulheres muçulmanas (uma iraniana e outra turca) que vivem na Alemanha. Ambas são casadas. Vivendo num país ocidental elas poderiam, eventualmente, fazer o que quisessem, mas pertencem a um universo mais restritivo nesta área. No caso de uma delas, por exemplo, o rosto só se vê passados dez minutos de filme, pois até mesmo na rua usa a burka.

 

FREMDKÖRPER/TRANSPOSED BODIES

Katja Pratschke, Gusztáv Hámos, Alemanha, fic., 2002, 27'

Silvestre Foco

Entre os projetos da dupla em Foco da secção Silvestre, o diretor do Indie destaca “Tranposed Bodies”, obra livremente inspirada num conto de Thomas Mann (“The Transposed Heads”) que, por seu lado, guarda semelhanças com a história que inspirou “Jules et Jim”. Para completar a mistura, este foto filme é, também, inspirado em La Jetee, clássico de Chris Marker. A história é de dois amigos que perdem, literalmente, a cabeça por uma mulher…

 

KILLING KLAUS KINSKI

Spiros Stathoulopoulos, Colômbia, fic., 2016, 21'

Director's cut

Na seção dedicada a filmes sobre cinema um dos destaques é a curta que vai investigar a história (ou mito…) envolvendo as relações entre o cineasta Werner Herzog e o ator Klaus Kinski durante as filmagens do clássico “Fitzcarraldo”. Reza a lenda que, às tantas farto do comportamento e do constante mau humor do ator, Herzog tenha pensado em matá-lo. Consta que a ideia teve apoio entusiástico dos índios – que ainda foram mais longe e deram a ideia de envenenar uma seta para alvejar o intérprete…

 

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por Roni Nunes às 18:58

IndieLisboa 2017: "Somniloquies"

por Roni Nunes, Segunda-feira, 15.05.17

Sonhos “in loco”

Eventualmente uma das propostas mais radicais deste IndieLisboa, “Somniloquies”, de Lucien Castaing-Taylor e Veréna Paravel, mergulha no universo onírico de um homem que falava enquanto dormia… por outras palavras, é como se as próprias portas do inconsciente fossem abertas.

 

 

Em causa estão os sonhos do cantor nova-iorquino Dion McGregor, que ao longo de sete anos na década de 1960, teve as suas movimentadas noites gravadas por um companheiro de quarto. Ele foi estudado por especialistas e considerado “o homem que mais fala a dormir” no mundo.

 

A seleção de trechos dos seus sonhos revelam muito humor, erotismo e detalhes pitorescos – como a descrição de uma cidade construída e habitada… por anões! 

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por Roni Nunes às 18:51


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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