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Terrores Tropicais - Parte 1: O Vampiro Que Mostrava os Dentes

por Roni Nunes, Sábado, 02.09.17
  • Publicado por  Roni Nunes (artigo originalmente postado em C7nema: http://www.c7nema.net/artigos/item/47024-terrores-tropicais-parte-1-o-vampiro-que-mostrava-os-dentes.html

 

O festival de cinema Motelx e a Cinemateca Portuguesa recuperam dois clássicos absolutos do terror latino-americano – ambos a serem exibidos no dia 1 de setembro. Um deles é o mexicano “El Vampiro” (1957), realizado por Fernando Méndez, o outro traz o satânico Zé do Caixão no primeiro filme com o ícone criado por José Mojica Marins, “À Meia-Noite Levarei sua Alma”.

 

“El Vampiro”: na névoa gótica, um vampiro mostra os dentes…

 

Os personagens de “El Vampiro” circulam junto de uma casa senhorial do interior do México; o mais longínquo que vão dali é até a estação dos comboios. É onde o filme começa, com a chegada da jovem Marta (Ariadna Welter). Quando fica sem transportes, ela é ajudada por um estranho (Abel Salazar, também produtor do filme) e vão ambos dar na citada propriedade. Uma das tias (Alicia Montoya) acaba de ser enterrada; a outra (Carmen Montejo) aparece do nada, através do velho artifício da trucagem, imaculadamente de negro; mais tarde se verificará que a sua imagem não se reflete no espelho… O nobre Vidal (German Robles), por seu lado, dorme secretamente dentro de um caixão e tem a predileção de atacar humanos em busca de sangue.

 

Bela Lugosi iria gostar de ter feito “El Vampiro”. A produção mexicana de 1957 foi lançada um ano depois da morte do ator que interpretou o Drácula de “black-tie” em 1931. A aparência sedutora dada pelo cinema nenhuma relação tinha com a criatura repelente inventada por Bram Stoker. A par disto, a produção de Abel Salazar tinha tudo aquilo que um verdadeiro clássico gótico nos velhos moldes devia ter: atmosferas sinistras, um cuidado da direção de arte em preencher o espaço com muito nevoeiro, algumas donzelas em apuros, um substrato erótico e, obviamente, um sedutor sanguessuga.

 

Há belos momentos, como a longa e silenciosa sequência do enterro ou a aparição fantasmagórica e terrífica experienciada pela protagonista já perto do fim; apenas o final é um bocado tosco e exige alguma condescendência.

 

 

Tempestades no horizonte

 

Mas “El Vampiro” não se fica pela retomada eficiente das convenções e paradigmas dos anos 30. A exemplo do limbo onde vive o seu vilão, o filme de Méndez fica no meio do caminho entre o antigo e o novo que se avizinhava. O filme é lançado no mesmo ano que “The Curse of Frankenstein”, onde a tempestade splatter da Hammer varria as bilheteiras e mudava a face do terror para sempre. No ano seguinte, em "Drácula", o sangue muito vermelho escorreria pelo queixo de Christopher Lee, um pérfido conde num filme onde os subterfúgios eróticos deixariam de ser uma sugestão para transformarem-se num requisito.

 

Mas se com a Hammer Lee torna-se um vampiro sangrento e predador enquanto o de Lugosi quase pedia licença para morder pescoços fora de campo, o de Robles mostra os dentes e faz ataques selvagens – como a de uma criança (!) em fuga numa cena a meio do filme.

 

 

No panorama mexicano o filme teve ainda o mérito de abrir novas perspetivas ao cinema de terror do país – o único, além da Inglaterra, a investir no género nos anos 30 e 40. Para se viabilizar nas bilheteiras, as histórias terroríficas apareciam associadas… ao wrestling!

 

A partir de “El Vampiro”, que também teve carreira internacional, Méndez não voltou à “luta libre”: no ano a seguir contou outra história de vampiros (“El Ataúd del Vampiro”) e fez o igualmente clássico “Misterios de Ultratumba” (“The Black Pit of Dr. M”) – onde investia à sua própria maneira e com igual qualidade em outra vertente vinda dos anos 30 – a dos cientistas loucos que ousavam “mexer onde não deviam”. Quanto a Salazar, coproduziu oito filmea de terror entre 1957 e 1963.

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por Roni Nunes às 17:19

"Topografias Imaginárias": Ciclo de cinema leva espectadores a passear por Lisboa

por Roni Nunes, Sábado, 02.09.17

 

O transporte gratuito para os espectadores até os locais das sessões é uma das inovações do ciclo “Topografias Imaginárias”. Um dos filmes é um clássico da fase mexicana de Luís Buñuel: "La Ilusión Viaja en Tranvía".

 

 

O ciclo “Topografias Imaginárias” é uma iniciativa é do Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca: entre os dias 1 a 3 e 8 a 10 de setembro, visionamentos de filmes comentados por um vasto leque de convidados vão decorrer em pontos inusitados da cidade.

 

Por sua vez, o tema “Lisboa – Cidade do Sul” vai ao encontro dos eventos de “Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana da Cultura 2017”. 

 

Os 11 filmes a serem exibidos abrangem várias épocas e são obras de realizadores portugueses e sul-americanos. A ideia central: demonstrar como a capital portuguesa foi vista pelos mais diferentes olhares ao mesmo tempo que mostra também um olhar lusitano ao Sul.

 

A mostra ocorre em locais como a Ponte Vasco da Gama, o Museu da Carris, a Quinta do Alto (Alvalade), o Vale do Fundão (Marvila), o Miradouro de Santo Amaro e o Teatro de Carnide. As entradas são livres e o transporte é gratuito até aos locais.

 

O passeio pela cidade é um dos objetivos do evento e conforme explica ao SAPO Mag uma das programadoras e diretoras do evento, Inês Sapeta Dias, a ideia de facultar os meios de transporte passa justamente por essa ideia.

 

“Esse transporte existe não apenas por comodidade, para facilitar o acesso dos espectadores aos locais de projeção, que são estranhos e desconhecidos, mas para desde logo iniciar a viagem que este programa propõe. Durante o percurso até vamos passar documentários sonoros sobre cidades sul-americanas, sendo desde logo possível começar a ver Lisboa como se fosse outra, como se fosse mesmo uma cidade do Sul”.

 

Os filmes

 

O programa, embora nem sempre, cria uma correspondência entre os cinemas da América Latina e o português – pondo em contacto filmes que cineastas sul-americanos fizeram em Lisboa e obras que realizadores portugueses fizeram na América do Sul.

 

Conforme observa Inês Dias, no clássico brasileiro de 1937, “A Descoberta do Brasil”, de Humberto Mauro, “Lisboa é a cidade de onde se parte para o Brasil. Exibido no dia 1, este filme será o nosso ponto de partida para o que será o Topografias Imaginárias”.

 

Esta perspetiva reflete-se ainda em obras como “Milagre na Terra Morena”, obra de 1975 do cineasta cubano Santiago Alvarez, ou “Los Barcos”, trabalho que Dominga Sotomayor desenvolveu na capital portuguesa em 2016.

 

 

Sob a perspetiva contrária, “O Caso J”, de José Filipe Costa, foi rodado no Brasil e “Eldorado XXI” (foto), de Salomé Lamas, que estreou nas salas portuguesas este ano, foi produzido no Peru; por seu lado, Márcio Laranjeira rodou na Argentina “Fuera de Cuadro”.

 

Por fim, um clássico da fase mexicana de Luís Buñuel – “La Ilusión Viaja en Tranvía”, de 1953. “De repente, por estarmos a ver o filme aqui, vemos Lisboa transformar-se na Cidade do México ou vice-versa”, analisa Inês Dias. Assim, o programa cria uma Lisboa ficcional através da projeção ao ar livre, onde os lugares vão transformar-se por causa do cinema e, ao mesmo tempo, vão descobrir-se coisas nos filmes”, conclui.

 

A relação dos comentadores envolvidos e os horários das sessões e das saídas dos autocarros podem ser consultados no site do Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa.

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por Roni Nunes às 00:45


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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