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Seis Noites de Terror: excessos barrocos e (muito) sangue nas paredes - "The Void"

por Roni Nunes, Segunda-feira, 04.09.17

por Roni Nunes

artigo originalmente postado em C7nema (http://www.c7nema.net/festival/item/47042-seis-noites-de-terror-excessos-barrocos-e-muito-sangue-nas-paredes.html)

 

 

O Motelx abre nesta terça-feira (05/09); entre as produções, o britânico “The Limehouse Golem” (em Portugal estreia quinta-feira com o título de “Os Crimes de Limehouse”) e o canadiano “The Void”. O que ambos partilham em comum são os (eventuais) excessos de ideias e (muito) sangue pelas paredes.

 

The Void

 

Pavor cósmico

 

Em “The Void" os argumentistas/realizadores Jeremy Gillespie e Steven Kostanski convidam ao mistério com uma abertura violenta, para adentrar pelo ritmo langoroso de uma terrinha algures. Mas lá há um hospital solitário na madrugada, recheado por uns poucos inocentes, outros nem por isso, cercados por encapuzados que sugerem um culto (satânico? alienígena?); quanto ao resto, basta dizer que ninguém se poderá queixar deste terror de criaturas de linhagem eighties, violento, repulsivo, sangrento e sem CGI.

 

Enquanto a vida se recria a partir da matéria morta, o filme adentra por caminhos complexos, tentando casar um pano de fundo místico, loucos experimentos e explicações cosmogónicas (no que o que os realizadores chamaram de “cosmic dread” – com Lovecraft na base). Vale o passeio no labirinto povoado; o “vazio” até está bem preenchido... 

 

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por Roni Nunes às 21:42

Doc’s Kingdom leva experiência única do cinema documental a Arcos de Valdevez

por Roni Nunes, Segunda-feira, 04.09.17

 

O Seminário Internacional de Cinema Documental Doc’s Kingdom realiza-se em Arcos de Valdevez, na Casa das Artes, entre os dias 3 e 8 de setembro e reúne profissionais de vários países.

 

O tema é “Emergir no Conflito”, com uma seleção de filmes secreta, uma aposta na convivência entre realizadores, expositores e público e um programa que pressupõe cinco dias de imersão entre debates e sessões. Na organização está a Apordoc, a instituição responsável pelo DocLisboa, com o apoio do ICA e da Câmara de Arcos de Valdevez.

 

Dois dos diretores do evento, Filipa César e Nuno Lisboa, explicam ao SAPO Mag as singularidades e os objetivos da proposta.

 

A base do vosso trabalho é a dinâmica de grupo, onde o próprio programa é secreto e pode sofrer alterações mediante a participação dos envolvidos. Quais as principais vantagens deste tipo de abordagem?

 

NUNO LISBOA: "O Doc’s Kingdom é uma alternativa à experiência urbana, excessiva e sobre-informada do festival de cinema: ao exibir menos filmes, cuidadosamente programados, entre um mesmo grupo de pessoas que se retiram momentaneamente para longe das suas rotinas quotidianas, apostamos numa experiência de imersão total que só pode ser o resultado daquilo que os participantes determinarem. E, a partir do momento em que o seminário começa, são todos participantes, não apenas espectadores, convidados ou organizadores.

 

Quem se inscreve e participa no Doc’s Kingdom sabe que tem uma oportunidade única de passar uma semana com grandes cineastas de diferentes gerações, numa atmosfera intimista e acolhedora. O segredo do programa, ou antes, a surpresa das sessões, procura intensificar, ampliar e amplificar a experiência na sala de cinema: não sabendo o que esperar, o espectador não deixa de antecipar. Por um lado, está completamente disponível para os efeitos da máquina de memória que é o cinema e, por outro, trabalha ativamente para produzir um sentido entre os fragmentos de realidade que tem em mãos.

 

Em contraponto com o silêncio da sala de cinema, a sala de debates é um espaço de partilha e troca de ideias. Os debates, na presença dos cineastas convidados e realizados numa sala específica para o efeito, diferente da sala de projeção, constituem um núcleo fundamental do seminário e procuram ser mais do que sessões de perguntas óbvias e respostas conclusivas. Neste sentido, o tema do seminário é sempre e apenas um ponto de partida, nunca um ponto de chegada, talvez e só um ponto de encontro: entre os filmes e entre as pessoas que, durante uma semana, vão produzir a sua própria memória coletiva, através do cinema como ferramenta para pensar e agir no mundo presente. Ao saírem de Arcos de Valdevez, regressam às suas vidas com inspiração e compromissos novos.

 

FILIPA CÉSAR: A ideia de convidar vários grupos de artistas e cineastas que produzem cinema coletivamente veio de uma vontade de sublinhar ou reclamar a dimensão coletiva, colaborativa e múltipla [de multidão] intrínseca na prática cinematográfica. Queríamos desviar a ideia de um cinema de autor focado no indivíduo e no génio para realçar a dimensão coletiva, afetiva, sensorial e múltipla do cinema que nos parece o melhor campo para abordar os temas deste seminário.

 

O documentário é um das vertentes do cinema mais exploradas em Portugal. Por que acham que isso acontecem e como posicionam o cinema feito cá no panorama mundial?

 

NUNO LISBOA: Mais do que a importância, real e presente, do documentário como género cinematográfico em Portugal e no mundo, existe uma cultura documental do cinema português que se encontra presente em todos os melhores filmes produzidos no país, incluindo de ficção. Não estamos particularmente interessados nas velhas divisões binárias entre o documentário e a ficção, como em nenhumas outras prisões de género. Reconhecemos que o cinema documental atravessa todo o cinema português e faz parte do seu “estilo”: na sua “Introdução a uma Verdadeira História do Cinema e da Televisão”, Jean-Luc Godard define o estilo como aquilo que resulta da “diferença entre o que se pode e o que se quer.”

 

Qual a ideia presente no título, "Emergir no Conflito"?

 

FILIPA CÉSAR: Idealmente, títulos são significantes com a possibilidade de múltiplos significados. O que posso revelar são elementos do diálogo com Olivier Marboeuf e Nuno Lisboa para chegarmos a "emergir no conflito”. Podemos dizer que o título propõe um espaço cinemático, sensorial e discursivo entre as duas palavras que o seminário quer proporcionar.

 

Este espaço é informado por múltiplos autores e artistas. "Emergir" e "Conflito" são os parênteses para criar este espaço: por um lado "Emergir" convoca o livro “The Black Atlantic” (1993), de Paul Gilroy, e "Conflito" o último livro de Donna Haraway - “Staying with the Trouble” (2016).

 

Portanto, o primeiro indica-nos talvez um campo de abordagem que, no contexto português, seria uma proposta de contra-história das Descobertas, o Atlântico como narrativa, como agência, Atlântico "prosopormorfico" - uma forma que tem prosa e narrativa próprias. Ou o Atlântico pela perspetiva dos humanos atirados ao mar durante o tráfico de escravos. Portanto, uma contra-abordagem aos “Descobrimentos”. O segundo, como criar espaços onde possamos convocar conflitos, habitar o conflito, habitar aquilo que põe em causa questões epistemológicas estruturantes daquilo que pensamos ser a nossa cultura, a nossa forma de pensar, a nossa ética. Como criar um espaço de “desaprendizagem” sem o assolamento petrificante do medo.

 

Emergir no conflito, ou habitar o conflito é uma tentativa de pôr em ação instrumentos de pensamento que Donna Haraway propõe: "aprender a ser verdadeiramente presente, não como um pivô de fuga entre passados horríveis ou perfeitos, e futuros apocalípticos ou salvíficos, mas como seres éticos entrelaçados em múltiplas configurações inacabadas de lugares, tempos, matérias e significados.”

 

NUNO LISBOA: O programa deste ano relaciona diferentes práticas artísticas e cinematográficas que abordam o conflito enquanto tema intergeracional, incluindo a projeção de clássicos como “Bless Their Little Hearts”, de Billy Woodberry, e “Born in Flames”, de Lizzy Borden, ambos de 1983, ou “O Regresso de Amílcar Cabral” (1976), de Sana na N´Hada, tal como os últimos filmes dos jovens cineastas Louis Henderson, James N. Kienitz Wilkins e do colectivo Inhabitants [Mariana Silva e Pedro Neves Marques], todos inéditos e, alguns, mostrados ainda nas suas versões de trabalho.

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por Roni Nunes às 21:22

Terrores Tropicais - Parte 2: O Sádico Mundo do Zé do Caixão

por Roni Nunes, Domingo, 03.09.17

 

O festival de cinema Motelx e a Cinemateca Portuguesa recuperam dois clássicos absolutos do terror latino-americano – ambos a serem exibidos no dia 1 de setembro. Um deles é o mexicano “El Vampiro” (1957), realizado por Fernando Méndez, o outro traz o satânico Zé do Caixão no primeiro filme com o ícone criado por José Mojica Marins, “À Meia-Noite Levarei sua Alma”.

Anedotas contemporâneas

 

Um facto anedótico ocorrido no início deste ano demonstra por si o quanto José Mojica Marins, criador do mítico Zé do Caixão, transcendeu a um início de extrema miséria e insegurança para inscrever o seu nome na história. Com 81 anos, experienciou o facto de tornar-se viral na internet. O motivo: uma foto onde, ao que tudo indicava, Zé do Caixão tinha-se convertido... à religião evangélica!

 

Seria possível? O homem que inventou o satanismo no cinema brasileiro? Bom, ao que parece nada disto aconteceu: quem foi "batizada" na referida igreja foi a esposa do ator/realizador; conforme desmentido da própria instituição...

 



Sórdido, imundo e satânico

 

Os baixíssimos orçamentos com os quais Marins tentava dar vida ao seu alter-ego nunca permitiram grandes voos visuais - mas em termos de vilania moral o personagem foi longe.

 

"À Meia-Noite Levarei sua Alma", lançado em 1963, trazia a história de um coveiro capaz de atos de uma infâmia inacreditável. Ele vivia numa pequena localidade não identificada do interior do Brasil, onde conseguia a façanha de ser temido e odiado por todas as razões e mais algumas: ultraviolência, assassinatos, violações, pactos demoníacos e crueldade generalizada. A sua autoconfiança só começa a ser abalada, no entanto, quando "forças do além" parecem conspirar contra ele...

 



Epopeias e telenovelas

 

Tudo chegou num sonho - num período complicado da sua vida: depois de um fracasso retumbante com a sua segunda longa-metragem ("Meu Destino em tuas Mãos"), ele tentava arranjar recursos para produzir um filme policial. Numa noite sonhou que uma imagem diabólica dele próprio vinha buscá-lo da cama e arrastá-lo através das campas de um cemitério até o local da sua própria cova. Acordou assustado, não conseguiu mais dormir; interpretou como um aviso e abandonou o filme que incluía criminosos e perseguições.


A realização do projeto foi, por si só, uma epopeia. Conforme contam os seus biógrafos em “Zé do Caixão – Maldito, a Biografia”, André Barcinski e Ivan Finotti, o cineasta abriu mão de tudo o que tinha; num gesto de drama de telenovela, disse à esposa que pensava em matar-se se não conseguisse concretizar o projeto! Resultado: eles ficaram sem casa e a mulher foi viver com os pais; a seguir ele vende toda a mobília - incluindo a própria roupa. Ficou com duas peças.

 

O lançamento do filme proporcionou a Marins alguns dos momentos mais felizes neste período de angústias: num belo dia, deu com filas enormes para ver o seu filme! Infelizmente não ganhou muito dinheiro, pois a penúria era tal que vendeu os direitos antes do projeto estrear. Mas esse foi apenas o primeiro capítulo da história do homem que atingiria os mercados internacionais, onde se tornaria o Coffin Joe…

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por Roni Nunes às 00:24

Terrores Tropicais - Parte 1: O Vampiro Que Mostrava os Dentes

por Roni Nunes, Sábado, 02.09.17
  • Publicado por  Roni Nunes (artigo originalmente postado em C7nema: http://www.c7nema.net/artigos/item/47024-terrores-tropicais-parte-1-o-vampiro-que-mostrava-os-dentes.html

 

O festival de cinema Motelx e a Cinemateca Portuguesa recuperam dois clássicos absolutos do terror latino-americano – ambos a serem exibidos no dia 1 de setembro. Um deles é o mexicano “El Vampiro” (1957), realizado por Fernando Méndez, o outro traz o satânico Zé do Caixão no primeiro filme com o ícone criado por José Mojica Marins, “À Meia-Noite Levarei sua Alma”.

 

“El Vampiro”: na névoa gótica, um vampiro mostra os dentes…

 

Os personagens de “El Vampiro” circulam junto de uma casa senhorial do interior do México; o mais longínquo que vão dali é até a estação dos comboios. É onde o filme começa, com a chegada da jovem Marta (Ariadna Welter). Quando fica sem transportes, ela é ajudada por um estranho (Abel Salazar, também produtor do filme) e vão ambos dar na citada propriedade. Uma das tias (Alicia Montoya) acaba de ser enterrada; a outra (Carmen Montejo) aparece do nada, através do velho artifício da trucagem, imaculadamente de negro; mais tarde se verificará que a sua imagem não se reflete no espelho… O nobre Vidal (German Robles), por seu lado, dorme secretamente dentro de um caixão e tem a predileção de atacar humanos em busca de sangue.

 

Bela Lugosi iria gostar de ter feito “El Vampiro”. A produção mexicana de 1957 foi lançada um ano depois da morte do ator que interpretou o Drácula de “black-tie” em 1931. A aparência sedutora dada pelo cinema nenhuma relação tinha com a criatura repelente inventada por Bram Stoker. A par disto, a produção de Abel Salazar tinha tudo aquilo que um verdadeiro clássico gótico nos velhos moldes devia ter: atmosferas sinistras, um cuidado da direção de arte em preencher o espaço com muito nevoeiro, algumas donzelas em apuros, um substrato erótico e, obviamente, um sedutor sanguessuga.

 

Há belos momentos, como a longa e silenciosa sequência do enterro ou a aparição fantasmagórica e terrífica experienciada pela protagonista já perto do fim; apenas o final é um bocado tosco e exige alguma condescendência.

 

 

Tempestades no horizonte

 

Mas “El Vampiro” não se fica pela retomada eficiente das convenções e paradigmas dos anos 30. A exemplo do limbo onde vive o seu vilão, o filme de Méndez fica no meio do caminho entre o antigo e o novo que se avizinhava. O filme é lançado no mesmo ano que “The Curse of Frankenstein”, onde a tempestade splatter da Hammer varria as bilheteiras e mudava a face do terror para sempre. No ano seguinte, em "Drácula", o sangue muito vermelho escorreria pelo queixo de Christopher Lee, um pérfido conde num filme onde os subterfúgios eróticos deixariam de ser uma sugestão para transformarem-se num requisito.

 

Mas se com a Hammer Lee torna-se um vampiro sangrento e predador enquanto o de Lugosi quase pedia licença para morder pescoços fora de campo, o de Robles mostra os dentes e faz ataques selvagens – como a de uma criança (!) em fuga numa cena a meio do filme.

 

 

No panorama mexicano o filme teve ainda o mérito de abrir novas perspetivas ao cinema de terror do país – o único, além da Inglaterra, a investir no género nos anos 30 e 40. Para se viabilizar nas bilheteiras, as histórias terroríficas apareciam associadas… ao wrestling!

 

A partir de “El Vampiro”, que também teve carreira internacional, Méndez não voltou à “luta libre”: no ano a seguir contou outra história de vampiros (“El Ataúd del Vampiro”) e fez o igualmente clássico “Misterios de Ultratumba” (“The Black Pit of Dr. M”) – onde investia à sua própria maneira e com igual qualidade em outra vertente vinda dos anos 30 – a dos cientistas loucos que ousavam “mexer onde não deviam”. Quanto a Salazar, coproduziu oito filmea de terror entre 1957 e 1963.

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por Roni Nunes às 17:19

"Topografias Imaginárias": Ciclo de cinema leva espectadores a passear por Lisboa

por Roni Nunes, Sábado, 02.09.17

 

O transporte gratuito para os espectadores até os locais das sessões é uma das inovações do ciclo “Topografias Imaginárias”. Um dos filmes é um clássico da fase mexicana de Luís Buñuel: "La Ilusión Viaja en Tranvía".

 

 

O ciclo “Topografias Imaginárias” é uma iniciativa é do Arquivo Municipal de Lisboa – Videoteca: entre os dias 1 a 3 e 8 a 10 de setembro, visionamentos de filmes comentados por um vasto leque de convidados vão decorrer em pontos inusitados da cidade.

 

Por sua vez, o tema “Lisboa – Cidade do Sul” vai ao encontro dos eventos de “Passado e Presente – Lisboa, Capital Ibero-americana da Cultura 2017”. 

 

Os 11 filmes a serem exibidos abrangem várias épocas e são obras de realizadores portugueses e sul-americanos. A ideia central: demonstrar como a capital portuguesa foi vista pelos mais diferentes olhares ao mesmo tempo que mostra também um olhar lusitano ao Sul.

 

A mostra ocorre em locais como a Ponte Vasco da Gama, o Museu da Carris, a Quinta do Alto (Alvalade), o Vale do Fundão (Marvila), o Miradouro de Santo Amaro e o Teatro de Carnide. As entradas são livres e o transporte é gratuito até aos locais.

 

O passeio pela cidade é um dos objetivos do evento e conforme explica ao SAPO Mag uma das programadoras e diretoras do evento, Inês Sapeta Dias, a ideia de facultar os meios de transporte passa justamente por essa ideia.

 

“Esse transporte existe não apenas por comodidade, para facilitar o acesso dos espectadores aos locais de projeção, que são estranhos e desconhecidos, mas para desde logo iniciar a viagem que este programa propõe. Durante o percurso até vamos passar documentários sonoros sobre cidades sul-americanas, sendo desde logo possível começar a ver Lisboa como se fosse outra, como se fosse mesmo uma cidade do Sul”.

 

Os filmes

 

O programa, embora nem sempre, cria uma correspondência entre os cinemas da América Latina e o português – pondo em contacto filmes que cineastas sul-americanos fizeram em Lisboa e obras que realizadores portugueses fizeram na América do Sul.

 

Conforme observa Inês Dias, no clássico brasileiro de 1937, “A Descoberta do Brasil”, de Humberto Mauro, “Lisboa é a cidade de onde se parte para o Brasil. Exibido no dia 1, este filme será o nosso ponto de partida para o que será o Topografias Imaginárias”.

 

Esta perspetiva reflete-se ainda em obras como “Milagre na Terra Morena”, obra de 1975 do cineasta cubano Santiago Alvarez, ou “Los Barcos”, trabalho que Dominga Sotomayor desenvolveu na capital portuguesa em 2016.

 

 

Sob a perspetiva contrária, “O Caso J”, de José Filipe Costa, foi rodado no Brasil e “Eldorado XXI” (foto), de Salomé Lamas, que estreou nas salas portuguesas este ano, foi produzido no Peru; por seu lado, Márcio Laranjeira rodou na Argentina “Fuera de Cuadro”.

 

Por fim, um clássico da fase mexicana de Luís Buñuel – “La Ilusión Viaja en Tranvía”, de 1953. “De repente, por estarmos a ver o filme aqui, vemos Lisboa transformar-se na Cidade do México ou vice-versa”, analisa Inês Dias. Assim, o programa cria uma Lisboa ficcional através da projeção ao ar livre, onde os lugares vão transformar-se por causa do cinema e, ao mesmo tempo, vão descobrir-se coisas nos filmes”, conclui.

 

A relação dos comentadores envolvidos e os horários das sessões e das saídas dos autocarros podem ser consultados no site do Arquivo Municipal da Câmara de Lisboa.

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por Roni Nunes às 00:45


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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