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Reda Kateb e "Melodias de Django": "Os ciganos têm uma maneira poética de viver"

por Roni Nunes, Sábado, 14.10.17

O ator é o protagonista do filme que abriu o último Festival de Berlim, onde se realizou uma conversa com o SAPO Mag.

Artigo originalmente postado em SAPO MAG (http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/reda-kateb-e-melodias-de-django-os-ciganos-tem-uma-maneira-poetica-de-viver)

  

Reda Kateb e "Melodias de Django": "Os ciganos têm uma maneira poética de viver"

 

Reda Kateb é o protagonista de “Melodias de Django”, que estreou em Portugal esta semana. Este foi o filme de abertura do último Festival de Berlim, onde o SAPO Mag conversou com o ator sobre temas implícitos do filme – como o racismo, a extrema-direita e a crise dos refugiados.

 

A escolha para a abertura de um dos festivais mais politizados do mundo não foi gratuita. Os alemães, mais do que qualquer outro povo europeu, têm noção dos perigos do ultranacionalismo e o filme realizado por Etienne Colmar, não abordando diretamente o tema, relata antes o processo de perseguição aos ciganos ocorrido no contexto da Segunda Guerra Mundial.

 

O ator francês descendente de argelinos interpreta Django Reinhardt, um dos mais célebres músicos das história do “jazz” francês. Autor de um estilo único de tocar guitarra, ele foi popular em todas as esferas da sociedade do país, mas a sua posição vai-se tornando insustentável à medida que as forças ultrarreacionárias começam a tomar conta da região onde vive.

 

 

Claro que facilmente a conversa avança para um paralelo com o mundo contemporâneo. “Certamente ‘Melodias de Django’ não é apenas sobre a família ou como sobreviver. Há no meio do filme, por exemplo, uma cena em que uma personagem fala de todos aqueles cadáveres à beira do lago. Para mim, parece-me evidente que aquele lago é uma metáfora para o Mediterrâneo atual. É a vergonha dos nossos tempos”, sustenta Reda Kateb.

 

Como descendente de argelinos, o ator facilmente se identifica com a questão cigana – especialmente na situação explosiva atualmente em França.“Acho que não é um problema apenas da França, é algo global. Infelizmente parece que há muitas pessoas hoje em dia a apoiar o discurso de extrema-direita. E obviamente isso assusta-me bastante”, confessa.

 

E ele acha que o racismo atinge de igual forma ciganos e argelinos? “Acho que sim, existem muitas similaridades…”, responde, embora não conhecesse muito sobre eles antes do filme: “Fui com o realizador a um ‘casting’ numa comunidade cigana. Fui muito bem recebido e identifico-me com eles. Tal como os argelinos, são um povo muito acolhedor".

 

O ator, que também teve ancestrais nómadas, conclui: “Os ciganos têm uma poética forma de viver, eles vivem no presente. Também prefiro viver assim”. 

 

Por fim, o que sabia ele de Django Reinhardt e da sua técnica? “Adorava a sua música, mas gastei um ano a treinar para interpretar a sua forma de tocar guitarra. Passava tanto nisto que, quando rodei dois filmes antes deste, dava por mim a mexer as mãos daquela maneira sem mais nem menos!”.

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por Roni Nunes às 12:16

Um planeta em agonia: arranca hoje o Cine’Eco

por Roni Nunes, Sábado, 14.10.17

Artigo originalmente postado em SAPO MAG (http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/um-planeta-em-agonia-arranca-hoje-o-cineeco)

 

Um planeta em agonia: arranca hoje o Cine’Eco

O festival de cinema decorre em Casa Municipal da Cultura de Seia, na Serra da Estrela e estende-se até 21. O SAPO Mag conversou com o programador José Vieira Mendes sobre a extensa programação (em torno de 100 filmes) que tem por tema “Tudo Pode Mudar: Oceanos, Clima e Economia”.

 

 

Entre alguns dos temas que serão debatidos estão a degradação do ambiente, os problemas climáticos, o aquecimento global, a extinção das espécies e escassez de água.

 

“Vamos questionar igualmente o sistema económico capitalista em que vivemos e que não dá prioridade à sustentabilidade: um consumismo exacerbado e uma economia que se desenvolve sem respeito pelo ambiente e as insistentes posições de Donald Trump relativamente às questões climáticas”, observa José Vieira Mendes.

 

Da mesma forma, “o sistema económico em que vivemos — o capitalismo e a globalização desenfreada — estão a impedir-nos de atuar numa solução para as alterações climáticas. O mundo distópico da ficção científica e do apocalipse chegou, nós é que não estamos a dar por isso. Mas ainda há esperança e é essa a nossa reflexão”.

 

Memória do cinema português

 

O festival abre com um filme-concerto com o clássico mudo português "Os Lobos", de Rino Lupo, recém lançado em DVD pela Cinemateca Portuguesa, que será acompanhado ao piano pelo músico Nicolas McNair. O italiano Rino Lupo (1888 — 1934) integrou uma geração de realizadores que marcaram os primórdios e o panorama do cinema mudo nacional.

 

“Para nós tem um valor simbólico pois foi rodado entre 1922 e 1923 em vários lugares emblemáticos de Seia – Valezim, São Romão e Senhora do Desterro, entre outros, e contou com a participação de atores e figurantes não-profissionais da terra.

 

Apesar de ser a preto-e- branco a fotografia de Artur Costa de Macedo é deslumbrante ao captar na perfeição as paisagens naturais e rurais da Serra da Estrela e as suas tradições”, assinala o programador.

 

"Os Lobos" é baseado na peça homónima de Francisco Lage e João Correia de Oliveira (1920), e conta a história de Ruivo, um marinheiro desterrado para a Serra da Estrela, por causa de um crime passional.

 

A música de ‘Os Lobos’ recupera a partitura original de António Tomás de Lima composta em 1925 e que vai ser interpretado ao vivo pelo próprio Nicholas McNair.

 

Uma longa trajetória

 

O Cine’Eco já tem 22 edições, uma marca assinalável no contexto comunitário descentralizado onde quase todos os festivais decorrem em Lisboa.

 

“Não sendo o cinema de ambiente uma área para as grandes massas de público, paulatinamente, o CineEco tem feito o seu caminho, conquistado públicos e despertado consciências para as questões ambientais”, acrescenta José Vieira Mendes.

 

Para além dos filmes, o programa conta igualmente com exposições, “workshops”, concertos e outras iniciativas de e para a comunidade. “Este ano, através de uma nova parceria, o festival será alargado aos 15 concelhos da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, composta por 250 mil habitantes, que constitui um novo contributo de aproximação à região”, conclui o programador.

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por Roni Nunes às 11:58


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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