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Nico – Velvet Underground: de musa a “junkie gorda”

por Roni Nunes, Terça-feira, 07.11.17

Artigo originalmente postado em C7nema.

Por Roni Nunes

 

Nico – Velvet Underground: de musa a “junkie gorda”

  • Publicado por  Roni Nunes, no Festival de Sevilha

 

Nico (no filme vivida por Trine Dyrholm, vencedora do prémio de Melhor Atriz no último Festival de Berlim por "A Comunidade") passou os seus últimos anos em Manchester. No início de Nico – 1988, que abriu a Horizontes no último Festival de Veneza e agora surge no Festival de Sevilha, ela dá uma entrevista à uma rádio local. O entrevistador desconhece completamente a sua carreira solo. Daí para o constrangimento é um caminho rápido: "Gostaria de nos contar sobre a sua experiência nos Velvet Underground?". Resposta curta e grossa: "não".

 

Mas o curso da história não depende da vontade de Nico – ex-modelo e depois cantora/compositora que morreu em 1988. É pelos quatro clássicos que canta no mítico "álbum da banana" que ela cristalizou-se na memória coletiva. Entende-se a antipatia: essencialmente ela foi lá parar por uma ideia de Andy Warhol, angariando logo o ódio de Lou Reed. Mais tarde no filme, um pouco mais simpática, é a própria a dizer: "cantei quatro músicas e, no resto do tempo, só ficava lá no fundo a tocar pandeireta". O mesmo Warhol mais tarde vaticinava que ela se havia transformado numa "junkie' gorda".

 

A realizadora Suzanna Nicchiarelli mostra mesmo isso – concluindo algo perigosamente que ela "corajosamente" assumiu que estava a envelhecer e não se "importava com a opinião dos outros".

 

 

Intenções deste projeto ítalo-belga à parte, a vida de Nico dava um épico: nasce sobre as ruínas de uma Alemanha destruída na 2ª Guerra Mundial, circula pelo mundo todo, tem um filho de Alain Delon (nunca assumido por este, mas criado pelos seus pais) e, num belo dia, vai desencantar na Factory de Warhol. E daí para a História.

 

O filme não é sobre isso, como também não é sobre os seus clássicos a solo. Aliás, comete-se aqui um erro grosseiro ao mencionar "The Marble Index" como seu primeiro álbum – quando este foi "Chelsea Girl". Alguns dos seus trabalhos a solo tiveram produção de John Cale e foram fracassos de público. Sobre um deles, disse Cale: "bem, como se pode vender o suicídio?".

 

 

Depois de 15 anos de adição à heroína, com tentativas de suicídio pelo caminho, a história do filme começa (1986). E o que faz Nico, que a estas alturas já pedia para a chamarem de Christa (seu verdadeiro nome)? Basicamente excursiona por pequenos espaços com músicos que ela chama de "amadores" ("não é fácil achar alguém que queira tocar comigo, hoje em dia"), "chuta-se", tenta resgatar o filho que abandonou "por ser muito jovem para o criar" (também ele "junkie" e suicida) e, quando parece estar a sair finalmente desta imagem de completa decadência. esta mulher da noite, já sem drogas, cai de bicicleta num passeio matinal em Ibiza, depois de um ataque cardíaco.

 

Alguns números musicais são insólitos – e há pelo menos um que causa faísca pelo contexto: Nico e sua banda estão atrás da Cortina de Ferro, em Praga. Jovens organizadores correm risco de vida para organizarem o concerto; repressão (mais falta de heroína...) são libertados numa performance incendiária. De resto algumas contradições, como um espetáculo onde ela canta o seu clássico supremo com os Velvet ("All Tomorrow Parties") e, pasme-se, os créditos finais a passarem com uma versão de "Big Japan" na voz de Dyrholm, "clássico" pop dos Alphaville já devidamente triturado pelos Guano Apes.

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por Roni Nunes às 20:39

Sevilha: os nomeados aos European Film Awards

por Roni Nunes, Segunda-feira, 06.11.17

 

"Europa" foi a palavra muitas vezes repetida nos discursos oficiais que abriram a 14ª edição do Festival de Cinema de Sevilha, no último sábado. Um dos pontos altos do evento é a revelação dos filmes e artistas que concorrem aos European Film Awards, que decorrem em Berlim em fevereiro.

 

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Anunciados este sábado num evento com vista para o rio Guadalquivir, os nomeados para Melhor Filme incluíram três projetos estreados no Festival de Cannes e dois em Berlim.

 

“The Square”, de Ruben Östlund, vencedor da Palma de Ouro e com antestreia portuguesa prevista para o Lisbon Sintra Film Festival, que inicia na próxima semana, é um dos destaques. Na Croisette também deu o que falar o francês “120 battements par minute”, de Robin Campillo, e o grego “The Killing of Sacred Deer”, de Yorgos Lanthimos.

 

Completam a seleção a obra vencedora do Urso de Ouro em Berlim, “On Body and Soul”, e “O Outro Lado da Esperança”, do consagrado Aki Kaurismaki, já estreado em Portugal.

 

O Festival de Cinema de Sevilha decorre até 11 de novembro e é marcado pela presença portuguesa, seja em termos de cinema contemporâneo seja na forma de duas retrospetivas completas relativas às obras de António Reis e Margarida Cordeiro.

 

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Confira abaixo a lista completa dos nomeados:

 

Filme Europeu 2017:

"120 battements par minute", de Robin Campillo
"Nelyubov", de Andrey Zvyagintsev
"On Body and Soul", de Ildikó Enyedi
"O Outro Lado da Esperança", de Aki Kaurismäki
"The Square", de Ruben Östlund

 

Documentário Europeu 2017:

"Austerlitz", de Sergei Loznitsa
"Communion", de Anna Zamecka
"La Chana", de Lucija Stojevic
"Stranger in Paradise", de Guido Hendrikx
"The Good Postman", de Tonislav Hristov

 

Realizador Europeu 2017:

Ildikó Enyedi ("On Body and Soul")
Aki Kaurismäki ("O Outro Lado da Esperança")
Yorgos Lanthimos ("The Killing of a Sacred Deer")
Ruben Östlund ("The Square")
Andrey Zvyagintsev ("Nelyubov")

 

Atriz Europeia 2017:

Paula Beer ("Frantz")
Juliette Binoche ("Bright Sunshine In")
Alexandra Borbély ("On Body and Soul")
Isabelle Huppert ("Happy End")
Florence Pugh ("Lady Macbeth")

 

Ator Europeu 2017:

Claes Bang ("The Square")
Colin Farrell ("The Killing of a Sacred Deer")
Josef Hader ("Stefan Zweig – Adeus, Europa")
Nahuel Pérez Biscayart ("120 battements par minute")
Jean-Louis Trintignant ("Happy End")

 

Argumentista Europeu 2017:

Ildikó Enyedi ("On Body and Soul")
Yorgos Lanthimos & Efthimis Filippou ("The Killing of a Sacred Deer")
Oleg Negin & Andrey Zvyagintsev ("Nelyubov")
Ruben Östlund ("The Square")
François Ozon ("Frantz")

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por Roni Nunes às 21:18

Festival de Sevilha: “A cinematografia portuguesa é uma das mais estimulantes da Europa”

por Roni Nunes, Sábado, 04.11.17

Artigo originalmente postado em SAPO Mag (http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/festival-de-sevilha-a-cinematografia-portuguesa-e-uma-das-mais-estimulantes-da-europa)

 

O festival de cinema de Sevilha arranca esta sexta-feira e tem uma forte presença portuguesa.

 

 

A declaração ao SAPO Mag é do programador do Festival de Cinema de Sevilha, que arranca hoje (03/11), com forte presença portuguesa. De acordo com Javier H. Estrada, “o nosso festival sempre mostrou um enorme interesse em cinema português, estamos sempre atentos às obras que surgem, pois consideramos que é uma das cinematografias mais estimulantes da Europa”.

 

A 14ª edição do evento fica marcada pela assinalável presença lusitana. O festival decorre até ao dia 11 e reúne mais de 200 títulos dedicados maioritariamente ao cinema europeu. Também está prevista uma centena de colóquios com cineastas 

 

Cinco trabalhos contemporâneos e duas retrospetivas completas, dedicadas a Margarida Cordeiro e António Reis (autor falecido em 1991), numa parceria com a Cinemateca Portuguesa, marcam a participação portuguesa.

 

O ciclo incluirá todos os filmes dos cineastas e mais uma série de obras relacionadas com este cinema, como “Mudar de Vida” (Paulo Rocha), “Ato de Primavera” (Manoel de Oliveira) e “O Sangue”, de Pedro Costa. Destaque ainda para a curta-metragem de Marta Mateos, “Farpões Baldios”, estreada no Festival de Cannes que, segundo o curador, revisita a obra de Monteiro e Reis dando-lhes uma nova leitura.

 

O progamador explicou que esta será a primeira retrospetiva integral dedicada a estes cineastas em Espanha. “Sempre admirámos estes filmes. Para nós é um orgulho exibi-los, especialmente quando conectados com as obras de Paulo Rocha, Manoel de Oliveira e Pedro Costa”, disse.

 

Dos filmes mais recentes, estarão obras com um amplo percurso em certames internacionais, como “A Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho, “Colo”, de Teresa Villaverde e “Tarrafal”, de Pedro Neves – ao qual se junta “Ramiro”, de Manuel Mozos, que teve estreia mundia há dias no âmbito do Doclisboa. Todos os realizadores estarão presentes na cidade andaluza.

 

Um dos mais importantes eventos ligados ao festival é o anúncio dos filmes que concorrerão aos prémios da Academia do Cinema Europeu – entre os quais está o citado trabalho de Pedro Pinho. Diz Javier Estrada: “’A Fábrica de Nada’ foi uma verdadeira revelação, sem dúvida é uma das obras fundamentais de 2017 e abre novos caminhos para a nossa maneira de compreender a realidade. Algo similar podemos dizer sobre ‘Tarrafal’, que reflete com grande profundidade e capacidade poética sobre o passado”.

 

As honras de abertura caberão a “A Ciambra”, obra de Jonas Carpignano sobre os ciganos do sul da Itália que tem dado o que falar e foi selecionado pelo país para concorrer ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

 

A seção oficial exibirá os últimos trabalhos de realizadors como Claire Denis, Laurent Cantet, Mathieu Amalric, Valeska Grisebach, Mathieu Amalric, Francis Lee e Roberto de Paolis, entre outros. Uma série de antestreias mundiais de projetos espanhóis também marcam a programação.

 

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por Roni Nunes às 15:02


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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