Muitos convidados, entre cineastas, investigadores, programadores e arquivistas, vão estar presentes no Laboratório “O que é o Arquivo?”, que decorre entre os dias 18 e 20 de abril, sempre a partir das 18h, na Cinemateca Portuguesa.

 

O evento é dedicado ao tema das relações entre cinema e arquivo. Conforme explicou ao SAPO Mag uma das programadoras, Susana Nascimento Duarte, "o ponto de partida deste Laboratório são as relações entre o cinema e o arquivo face à nossa experiência contemporânea das imagens. Na época das técnicas de reprodução digital, o arquivo deixa de ser um espaço restrito e separado de preservação da memória para se tornar uma realidade fluída em devir permanente a que todos podemos aceder, para depositar e partilhar materiais, mas também para os produzir e recompor".

 

Na base do debate está a enorme evolução tecnológico ocorrida nos últimos anos, que condicionou de diversas formas a preservação da memória e a sua utilização.

 

"Estamos perante um grande arquivo digital, potencialmente infinito, que se estende a todas as esferas da vida, onde os gestos de apropriação e reelaboração de materiais e imagens ‘em segunda mão’ se tornaram banais. Quais os efeitos desta nova paisagem digital no cinema e no seu próprio arquivo? Que novas formas críticas e criativas pode tomar o cinema no contexto da cultura e do arquivo digital contemporâneos?", questiona.

 

Para debater estas e outras questões são propostas três mesas de trabalho, em três dias consecutivos, orientadas segundo temas como apropriação, arqueologia e programação.

 

O conjunto dos eventos inclui o visionamento de filmes, seguido de intervenções dos participantes. Entre outros estarão presentes nomes como os de Jonathan Beller, Christa Blümlinger, Susana de Sousa Dias, Jürgen Bock, Manuel Mozos e Nuno Lisboa.

 

Já entre os filmes estão obras como "Perfect Film", de Ken Jacobs (1986), "A Movie", de Bruce Conner (1958), uma versão de "YouTube Trilogy", de James Benning (2010), "Arbeiter verlassen die Fabrik", de Harun Farocki (1995), "The Pixelated Revolution", de Rabih Mroué (2012, imagem em baixo), "Journal No. 1 - An Artist’s Impression", de Hito Steyerl (2007), "Found, Found, Found", de Dirk de Bruyn (2014), "Black Code/Code Noir", de Louis Henderson (2015) e "Pieces and Love all to Hell", de Dominic Gagnon (2011).

 

A entrada para as sessões de filmes, palestras e debates é gratuita – com exceção da sessão de hoje às 21h30. Todos os eventos têm tradução em língua portuguesa e o programa completo pode ser consultado em arquivomunicipal.cm-lisboa-pt. O evento resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, Videoteca e a Cinemateca.