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Doclisboa 2017: Napalm

por Roni Nunes, Terça-feira, 17.10.17

Artigo originalmente postado em SAPO MAG (http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/doclisboa-os-americanos-ja-arrasaram-a-coreia-do-norte-em-1953?artigo-completo=sim)

 

Doclisboa: Os americanos já arrasaram a Coreia do Norte... em 1953

O festival apresenta o mais recente trabalho do lendário cineasta Claude Lanzmann: "Napalm".

 

 

Apenas oito anos se haviam passado desde Hiroshima e Nagasaki quando o célebre herói da Segunda Guerra Mundial, o general Douglas MacArthur, pretendeu valer-se da divisão do átomo outra vez – desta sobre a cabeça dos coreanos.

 

Estes, rebeldemente, insistiam em permanecer comunistas – para piorar num território muito apetecível no jogo geopolítico internacional.

 

Foi o presidente Truman a compreender o perigo da peripécia em plena fronteira com a União Soviética e sem bomba atómica, MacArthur teve que se contentar com napalm – e aí foram usadas toneladas dele, o suficiente para matar com queimaduras de quinto grau quatro milhões de “vermelhos”, 90% da população de Pyongyang!

 

A ferida aberta de Kim Jung-Un

 

No seu novo trabalho "Napalm", o lendário Claude Lanzmann (“Shoah”), atualmente com 91 anos, lembra esta história depois de chegar ao país em 2015 – onde também recordará a sua passagem por lá no final dos anos 50.

 

Pelas lentes da câmara da sua fotógrafa, Caroline Champetier, desfila uma cidade incrivelmente limpa, moderna, ordenada e cheia de parques. Mas o roteiro turístico, provavelmente o único autorizado, capta a ferida aberta que, no fundo, nunca cicatrizou.

 

 

“Em 1958 eles eram muito simpáticos, generosos e civilizados a despeito do que tinham passado”, disse ele numa entrevista ao Telegraph, acrescentando que “esta guerra horrível é a raiz de tudo o que estamos a assistir agora. Não podemos falar sobre este país e esquecer este conflito. Foi a Guerra da Coreia que os fez”.

 

Em jeito de conclusão depois de passeios por uma cidade rodeada de museus de guerra, estátuas do grande líder e belas raparigas que, invariavelmente, estão a lutar ou a descrever atrocidades, Lanzmann diz que o país é um território em permanente preparação para uma nova guerra que nunca aconteceu. Ainda.

 

Mas, para ele, toda esta história não passa de um grande “bluff”. Disse ele ao Guardian: “Os norte-coreanos estão muito longe de poderem efetivamente lançar um míssil contra os Estados Unidos. Eles apenas jogam com isso. E acho que eles e Donald Trump ainda serão grandes amigos!”

 

Napalm emocional

 

Na segunda parte, o filme toma outros rumos. Em 1958, ainda haviam ruínas quando Claude Lanzmann foi até lá como membro de uma comissão francesa; sob o caos, uma inesquecível enfermeira da Cruz Vermelha…

 

Quanto ao resto, não se tratam de ilusões de um velho comunista; as lembranças dão conta de uma história sobre a interferência do Estado nos assuntos privados – suficientemente brutal para desencorajar as crenças nas práticas do “socialismo real”.

 

Ingerências que, aliás, decorreram durante as filmagens, dificilmente autorizadas e apenas sob o pretexto de que ele estava a fazer um filme sobre… taekwondo.

 

As notícias dos telejornais por cá são calculadas para fazer reagir, não para fazer pensar: entre a beleza triste da sua história e as suas conexões implícitas, “Napalm” lança uma luz sobre as eventuais razões para insistência militarista do “louco” Kim Jung-Un, que não parece merecer uma biografia credível no Ocidente nem no Wikipédia.

 

“Não sou comunista há muito tempo e acho que mostro isso no filme. Mas [tudo] é muito complexo para ser resumido a expressões como ‘Eixo do Mal’”. Por outras palavras, se do lado asiático as razões vêm das sombras dos mortos, do lado do Pentágono as motivações são as do costume", recorda o cineasta.

 

“Napalm” é exibido no âmbito do Doclisboa, dia 19, no cinema Ideal.

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por Roni Nunes às 21:29

Doclisboa transcende formatos e abre com uma obra de ficção

por Roni Nunes, Segunda-feira, 16.10.17

Artigo originalmente postado em  SAPO MAG (http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/artigos/doclisboa-transcende-formatos-e-abre-com-uma-obra-de-ficcao)

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Doclisboa transcende formatos e abre com uma obra de ficção

A grande festa do cinema documental decorre entre 19 e 29 de outubro em Lisboa. Em entrevista ao SAPO Mag, a diretora Cíntia Gil antecipa algumas novidades.

  

A poucos dias do início do Doclisboa, a diretora Cíntia Gil dá pormenores sobre alguns dos pontos altos de uma vasta programação daquele que é um dos mais importantes festivais de cinema documental da Europa mas que não abre com um documentário, mas sim com “Ramiro”, novo trabalho de Manuel Mozos.

 

A explicação é simples: “Essa separação de género não nos interessa muito. O que nos agrada sobretudo é o modo como os filmes nos aproximam do real e o partilham connosco através de olhares singulares. Há também outros trabalhos no Doclisboa dificilmente classificáveis como documentários”, observa.

 

Da Terra à Lua

 

Formatos à parte, um dos destaques é a programação enquadrada sob o rótulo “Da Terra à Lua”, que inclui alguns nomes mediáticos do panorama internacional.

 

Entre outros destaques, há Laura Poitras a falar de Julian Assange, João Moreira Salles, Wang Bing, Claude Lanzman, e até Barbet Schroder com uma abordagem do budismo em Myammar com “The Venerable W”.

 

Já a sequela de "Uma Verdade Inconveniente", intitulada "An Inconvenient Sequel: Truth to Power", contará com uma videoconferência com Al Gore.

 

“Da Terra à Lua é uma secção onde os grandes nomes do cinema de hoje são apresentados, ao lado de outras vozes que nos ajudam a ter uma imagem, uma perspetiva do mundo de hoje. Este ano, de facto a secção está cheia de filmes importantíssimos”, refere Cíntia Gil.

 

A diretora destaca títulos como o de Boris Yukhananov, vindo do de teatro russo, que trata da famosa final do Campeonato do Mundo de 2006, com Zidane e Materazzi como figuras centrais.

 

“Chamo a atenção também para os filmes portugueses presentes na secção: Edmundo Cordeiro com Filomena Molder em 'As Cartas de Rimbaud' e Anabela Moreira com uma belíssima curta, 'A Mim'”.

 

 

 

Jean-Luc Godard

 

Godard é sempre Godard e a secção Riscos apresenta um trabalho seu raríssimo e recentemente restaurado.

 

"'Grandeur et Décadence d'un petit Commerce de Cinéma' é um filme de Jean-Luc Godard feito para uma série de televisão intitulada 'Série Noire'. Seria eventualmente um 'thriller', mas Godard subverte os géneros, como sempre no seu cinema, e constrói uma parábola e uma crítica sobre o cinema: a história de um realizador que prepara um filme [Jean-Pierre Léaud] e o seu produtor falido. Nunca passou em cinema até este ano, embora nos pareça um filme que tem a sua importância na filmografia do autor”.

 

Retrospetiva: Vera Chytilova

 

O cinema do Leste europeu é sempre mal conhecido em Portugal. Em 2015, o Doclisboa destacou o sérvio Zelimir Zilnik, este ano é a vez de Vera Chytilova, que começou ao lado de Jan Nemec durante a Nova Vaga Checa, na década de 60.

 

Segundo Cíntia Gil, “embora sejam cinematografias muito distintas, tanto Zilnik como Chytilova viveram a transição do comunismo para a democracia, ambos viram os seus países dividirem-se, foram proibidos de filmar nos períodos políticos mais duros e recusaram abandonar o país; mas tiveram interesses e modos de filmar muito diferentes”.

 

A diretora do Doclisboa destaca ainda que a cineasta construiu uma obra plena de ambiguidade, com enorme interesse por questões existenciais e pela alma humana: “É uma filmografia muito diversificada, profundamente inconformista. E muito desconhecida cá - à parte de "Daisies" [As Pequenas Margaridas], que teve estreia em Portugal.”

 

Outra convidada especial: Sharon Lockart

 

Já o trabalho da outra convidada, Sharon Lockhart, inaugura também uma parceria com o Museu Berardo, numa exposição concebida por Pedro Lapa com a artista.

 

“Sharon Lockart é das cineastas/artistas que mais tem trabalhado na relação entre o cinema, a fotografia e o espaço expositivo. E os trabalhos que apresentaremos - juntamente com dois filmes na exposição e o seu último projeto na Secção Riscos - centram-se sobretudo num belíssimo trabalho que desenvolveu na Polónia, com jovens, a partir dos seus gestos, vivências, e da sua construção afetiva e identitária”.

 

Cinema de urgência: Palestina e Venezuela

 

O cinema de urgência traz projetos sobre dois territórios ligados à tragédia e a complexidade política - a Palestina e a Venezuela. Serão apresentados materiais que darão suporte a debates posteriores à sessão.

 

No caso da Palestina, convidado será o coletivo israelita B'Tselem: estará em Portugal um membro para conversar sobre a produção de arquivos destas imagens.

 

“Eles têm desenvolvido um impressionante trabalho de formação de cidadãos para reportarem os eventos nos territórios ocupados, organizando simultaneamente um importante arquivo desses materiais filmados pelas pessoas, do qual apresentaremos alguns filmes”, assinala Cíntia Gil.

 

Quanto à Venezuela, é Andrés Duque, realizador venezuelano que abriu o Doclisboa em 2016 com "Oleg y las Raras Artes", que partirá dos seus próprios filmes, em particular da sua trilogia sobre a memória, para falar de algumas questões de fundo na sociedade do seu país.

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por Roni Nunes às 19:25


Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...