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Cannes sob o telescópio - Parte 2 - 10 filmes

por Roni Nunes, Domingo, 20.05.18

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Continuação de um resumo sobre os filmes que têm passado no Festival de Cannes baseado em quem por lá anda. Foto acima: "Happy as Lazzaro".

 

CANNES - DIA 3 (10/05)

 

Petra: Na Quinzena dos Realizadores Jaime Rosalez volta a Cannes depois do seu penúltimo filme, “Hermosa Juventud”, ter um granho um prémio n’A Certain Regard em 2014. O filme conta a história de uma jovem artista atormentada pela figura maquiavélica do pai – num enredo que envolve segredos e mentiras familiares. Segundo a AFP o filme empurra a história para “além do suportável os limites da crueldade da humilhação”, com o realizador a justificar-se dizendo que isso é “tipicamente espanhol”. Ainda segundo ele: "Procurei um híbrido entre o cinema clássico - com atores conhecidos e elementos de suspense - e o moderno, que me fascina, com intérpretes não profissionais e utilizando a câmara e a música de forma não convencional.

 

CANNES - DIA 5 (12/05)

 

3 Faces: uma atriz popular no Irão procura pela pista de uma jovem que lhe pede socorro por telemóvel. O realizador Jafar Panahi acompanha-a e eles vão dar ao Noroeste do país, próximo à uma comunidade junto à fronteira da Turquia – que serve, entre outros tópicos, para o cineasta comentar o extrema machismo do seu país. É a nona longa-metragem de Panahi, vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 2015 com “Taxi” e agora a dividir o prémio de melhor argumento com Alice Rohrwacher. É o seu quarto filme feito sobre o “ban” do governo iraniano – que o proíbe de deixar o país e de… fazer filmes. Curiosamente e a despeito do prestígio do cineasta no exterior, ele continua a fazer produções ilegais sem sofrer novos processos.

 

Segundo Paulo Portugal, no Insider, “a misoginia iraniana é vista pelo olhar de três gerações” e escreve isto: “Mesmo a cumprir uma pena de prisão domiciliária, por acusação de propaganda anti-regime, Jafar Panahi faz um cinema que não precisa de mais meios para nos tocar de forma profunda e, ao mesmo tempo, auscultar o peso incomensurável da sociedade patriarcal iraniana. Nesse sentido, 3 Faces, ou em português 3 Rostos, é um filme porventura até mais feminino e que significa mais do que o movimento #MeeToo”.

O texto completo: (https://www.insider.pt/2018/05/15/cannes-3-faces-de-jafar-panahi-a-misoginia-iraniana-vista-pelo-olhar-de-tres-geracoes-de-mulheres/)

 

Mandy (foto abaixo): outro aportado de Sundance, neste caso das "sessões da Meia-Noite", na Quinzena dos Realizadores (e, espera-se, no próximo Motelx...). Sendo um filme de terror em geral bem-recebido, parece que é desta que Nicolas Cage acerta uma (os seus descalabros geraram uma série no Youtube chamada "Nicolas Cage Losing His Shit"...). Neste caso ele é um homem em vingança - contra um grupo de fanáticos religiosos que assassinou a sua esposa. Ao que tudo indica Panos Cosmatos deu rédea solta a Cage para o ator libertar a sua loucura enquanto, ele próprio, tratou de criar os seus excessos em imagens, eventualmente inspiradas em mestres do terror dos anos 70, para compor uma obra visualmente muito elogiada. Pan Cosmatos é filho de George Pan Cosmatos, realizador de "Rambo"... 

 

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Girl: Filme que valeu a Camera D'or ao belga Lucas Dhont, numa estreia amplamente elogiada. Ele decidiu contar a história de um adolescente com uma vida particularmente dramática - na medida em que tem que lidar com dois enormes desejos muitos difíceis de concretizar: ser uma mulher e uma bailarina de sucesso. Identidade e corpo misturam-se num filme que tem sido elogiado pelas opções narrativas pouco melodramáticas e ao mesmo tempo intensas. Presente na seção A Certain Regard.

 

To the End of the World: obra do francês Guillaume Nicloux cuja violência gráfica ajudou a dividir as perceções sobre a qualidade do filme. Ainda assim, críticos como Peter Bradshaw, do The Guardian, foram simpáticos; já Juanma Ruiz, do Caimán Cuadernos de Cine, criticou duramente a presença da obra no certame, terminando por qualificar o projeto como uma imitação pobre e sem alma de "Apocalipse Now". O filme, presente na Quinzena dos Realizadores, narra uma missão de vingança movida por soldados francesas na Indochina (hoje Vietnã) em 1945 e os seus dramas (com romance incluído) até foram comparados por Bradshaw a "Platoon".

 

Woman at War (foto abaixo): Benedikt Erlingson produziu uma das sensações escandinavas de 2013 e “Of Horses and Men” veio a ser o filme escolhido pela Islância para representá-la nos Oscars de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Sobre uma ativista que tenta conciliar atividades de ativismo ilegal com a vida familiar. Jay Weissberg, da Variety, ficou encantado com o filme, perguntando se haverá “algo mais raro que um inteligente ‘feel good movie’ que sabe como abordar urgentes questões globais com assim como com um satisfatório sentido de justiça”?

 

Ainda segundo ele, embora mais “tradicional” que seu filme anterior em termos narrativos, disse ser impossível catalogar o filme, que gira entra a comédia, o musical, o drama social e o político. Por fim, aposta no filme com um dos “hot sellers” de Cannes. Ao que parece ainda as peripécias da ativista – que comete atos ilegais de sabotagem contra os grandes interesses – são comentados por músicos ao longo do filme – que inclusive rompem a quarta parede… Exibido na Semana da Crítica.

 

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CANNES - DIA 6 (13/05)

 

Happy as Lazzaro (foto de abertura): obra das mais promissoras, onde Alice Rohrwacher discute temas como a relação entre riqueza e exploração e levou o prémio de Melhor Argumento (junto a “3 Faces”, de Panahi). Consenso positivo do festival, conta a história de Lazzaro (“Lazzaro Felice”, no título original), um jovem otimista e ingénuo que desenvolve uma grande amizade com outro rapaz – que no entanto se perde na cidade e ele vai atrás dele. Manohla Dargis, no seu “o melhor e o pior de Cannes” considera o filme “adorável” e um dos melhores do festival. Rohrwacher abriu a Festa do Cinema Italiano com “As Maravilhas” em 2015 (e não esquecer da sensação “Corpo Celeste”, de 2011): é espectável que a façanha se repita para 2019…

 

Papa Francisco: Wim Wenders desaprendeu a fazer filmes de ficção decentes e é no documentário que ele tem se safado no século XXI (filmes sobre Pina Bausch ou Sebastião Salgado, por exemplo). Ao que parece aqui ele fez, pelo menos, um filme honesto sobre o seu “objeto”, o papa Francisco. Pouco provável que toque na questão realmente interessante sobre o papa (a virada do “marketing” da igreja com a saída do fóssil Bento XVI e o incrível rejuvenescimento da imagem que este papa efetivamente conseguiu) – até porque é uma coprodução com o Vaticano. Mas os críticos em geral levaram a sério o esforço de Wenders ao reunir uma longa entrevista com o papa onde ele fala de questões cruciais sobre o mundo atual (a venda de armas, por exemplo) e casos traumáticos (pedofilia na igreja) e polémicos, como a homossexualidade. Sessão Especial em Cannes.

 

Leave no Trace: onde terá andando Debra Granik, que aparece oito anos depois de ter posto Jennifer Lawrence no mapa com “Despojos do Inverno”...? O filme narra o que Juanma Ruiz, do espanhol Caimán Cuadernos de Cine, chama de “western” ao contrário: um pai (Ben Forster) e uma filha (Thomasin McKenzie – muito elogiada, quem sabe outra Lawrence?) tenta desparecer na floresta sem deixar rasto. Assim: “aqui não se trata da luta do homem para dominar a terra, mas sim para pertencer a ela, integrar-se e quase diluir-se na natureza”. Conclusão da crítica: “um filme pequeno, intimista, contido tanto em escala como em conteúdo, mas indubitabelmente sólido”. Exibido na Quinzena dos Realizadores, já tinha sido bem recebido em Sundance.

 

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Manto: n'A Certain Regard uma "biopic" de Saadat Hasan Manto, um escritor indiano, depois paquistanês, que tem sido objeto de variadas obras no seu país. Ele viveu ativamente no período após a independência da Índia, mas quando esta dividiu-se ele foi um dos muitos que partiu com a família para o novo país, de maioria muçulmana, o Paquistão. A viver no Lahore ele construiu um local a salvo da influência da ditadura e um campo de debates. Se muito se reclamou da falta de realizadoras em Cannes, o crítico do Caimán Cadernos de Cine, Carlos Heredero, reclamou enfaticamente do academicismo da narrativa, inserida na tradição da "biopic" ocidental mais tradicional, e de que, mais uma vez, o filme só estaria selecionado por ser uma de uma mulher - neste caso Nandita Das.

 

 

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por Roni Nunes às 00:26

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  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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