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Cannes sob o telescópio - Parte 3 - 20 filmes

por Roni Nunes, Domingo, 20.05.18

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Continuação de um resumo sobre os filmes que têm passado no Festival de Cannes baseado em quem por lá anda. Foto acima: Los Silencios.

 

CANNES – DIA 3 (10/05)

 

Samouni Road: Documentário sobre um tema terrível, visto que continua a existir uma dolorosa continuidade: os massacres promovidos por Israel em Gaza em 2009, que vitimaram centenas de civis. O filme do italiano Stefano Savouna segue uma parte mais convencional, entre os dopimentos da família Samouni sobre uma tragédia que quer esquecer mas, obviamente, não consegue. Pelo meio usa outros recursos para mostrar a violência do ataque, voltando ao aspeto tradicional, mas já com outro significado, na parte final. Obra da Quinzena dos Realizadores.

  

Sauvaje: obra inserida no universo LGBT, contando a história de um jovem de 22 anos que se prostitui ao mesmo tempo que mantém uma paixão por outro homem que trabalha no mesmo ramo. Trabalho exibido no âmbito da Semana da Crítica, é o filme de estreia do francês Camille Vidal-Naquet e foi em geral bem recebido. David Rooney, do Hollywood Reporter, salientou que, apesar da crueza, o filme emana “um estranho romantismo”. A ideia central é que o protagonista mantém o seu sentimentalismo mesmo apesar da brutalidade inerente à sua atividade.

 

CANNES – DIA 4 (11/05)

 

Diamantino: Carloto Cotta vive um astro do futebol (semelhanças com Cristiano Ronaldo frequentemente ressaltadas) no entanto caído em desgraça e que tem refazer a sua vida. Tal procedimento ganha contornos delirantes. Segundo Paulo Portugal no Insider, trata-se de mais ou menos isto: “…cãezinhos felpudos que fazem partes do imaginário alucinado deste craque, mas pouco dotado de massa cinzenta, que vive num palacete na Madeira e desfruta no tempo livre e da sua vida centrada em si mesmo no seu iate. Isto até descobrir que existem pessoas com dificuldades, como os “refugiadozinhos” que colhe do mar e que acabam por mudar a sua vida”. Artigo completo em (http://www.insider.pt/2018/05/13/cannes-diamantino-e-o-delirio-surreal-que-marca-o-festival-e-afirma-gabriel/).

 

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Gabriel Abrantes e o norte-americano Daniel Schmidt corealização essa coprodução entre Portugal, Brasil e França, vencedora da Semana da Crítica. Recebeu elogios da Variety e do Hollywood Reporter e uma crítica bastante negativa do Caimán Cuadernos de Cine, que disse que o humor ingénuo do filme não ajuda uma obra sustentada por um amontoado de “sketches” que caberiam bem numa curta-metragem.

 

Shéhérazade: Obra francesa da Semana da Crítica, com uma “love story” no âmbito da violência juvenil em Marselha. A realização é de Jean-Bernard Marlin, que já ganhou um Urso de Ouro de Melhor Curta-Metragem em Berlim, em 2013. É um mergulho na dura vida do gueto, representada por atores não-profissionais que cuja vida não é muito diferente daquela que retratam – tendo como eixo principal a história verídica do protagonista que, depois de ter crescido pobre num bairro social, comete diversos delitos. Quando é solto de um reformatório para jovens ele não é aceito pela mãe e vai parar outra vez na vizinhança. E conhece a personagem-título. Agradou ao Cineuropa e ao Hollywood Reporter, dos poucos “sites” a escrever sobre o filme.

  

The Spy Gone North: Sessão Especial em Cannes de um filme sul-coreano repleto de cenas de ação, mas que, segundo a Variety (Maggie Lee), elas vêm inseridas num épico que mistura intrigas políticas complexas e um forte sentido de realismo social. Segundo ela, o sucesso progressivo no “box office” de Yoon Jong-bin não o fez esquecer de um tom de denúncia permanente contra a corrupção e adjacências. O filme narra a história de um espião, “black venus”, que nos anos 90 inflitra-se junto do governo da Coreia do Norte para descobrir os planos deste em termos de tecnologia para construir armas nucleares. Globalmente bem recebido.

  

Los Silencios (foto de abertura): segunda longa-metragem da realizadora brasileira Beatriz Seigner (que no primeiro seguiu três atrizes brasileiras a tentar a sorte em Bollywood), conta a história de uma família (uma mãe e dois filhos) a tentar estabelecer-se na Ilha da Fantasia, uma terra de ninguém entre Brasil, Colómbia e Peru. Exibido na Quinzena dos Realizadores, fala de refugiados (os colombianos são o segundo povo que mais emigra para o Brasil) e também de “fantasmas” – onde a cineasta, comparada ao tailandês Apichatpong Weerasethakul, aborda uma comunidade (existente) que trata os mortos desaparecidos como se ainda estivessem vivos.

 

O Cineuropa (Kaleem Aftab) destacou a “metáfora dos espíritos desta ilha onde as pessoas vivem em casas de madeira sobre água por meio de estacas e que os refugiados também vivem em terra de ninguém, entre os vivos e os mortos”. Ele também comparou o filme à obra de Lucrecia Martel, especialmente “O Pântano”. Já os Caimán Cuadernos de Cine (Juanma Ruiz) disse que o problema é o “filme tentar ser muitos filmes e não conseguir ser nenhum”.

 

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Ash Is Purest White (foto acima): 10ª longa-metragem de ficção de Jia Zhang-ke. Os últimos depois (“Quando as Montanhas se Afastam”, “China – um Toque de Pecado”) e “Still Life” estrearam em Portugal. Filme sobre a mulher de um gângster dividido em três partes, onde Zhanke volta a abordar o assunto favorito dele e dos cineastas chineses, as brutais transformações do país nos últimos anos.

 

Nunca deixa de haver um tom profundamente crítico e, neste caso, há um aspeto nem sempre abordado: a despeito das mudanças, o papel ditatorial e castrador do Estado persiste – conforme descrição de Carlos Heredero, do Caimán Cuadernos de Cine, “…sem que o país deixe de estar prisioneiro e vigiado permanentemente por um regime ditatorial, como se encontra igualmente a protagonista do relato na última imagem do filme, poderosa e devastadora metáfora de um país que, como criatura de Jia Zhang-ke, nunca termina de livrar-se de uma tutela castradora”. (crítica completa: https://www.caimanediciones.es/cannes-2018-en-tiempo-real-la-opinion-de-la-critica/)

 

CANNES – DIA 5 (12/05) 

 

Fahrenheit 451: bem lembra o crítico do Guardian (Gwilyn Mumford) que a “era-Trump” é propícia para a ressurreição de distopias – particularmente atrativas para os produtores (de televisão, neste caso) quando outras tornaram-se rentáveis – caso da adaptação da obra de Margaret Atwood “The Handmaiden Tales”. Rahim Bahrani, de “99 Casas” é o responsável por este projeto televisivo com Michael B. Jordan no protagonismo e Michael Shannon como lider sadístico do esquadrão totalitário – exibido em Sessão Especial em Cannes.

 

Baseado no livro homónimo de Ray Bradbury o enredo, já adaptado por François Truffaut nos anos 60, dá conta de uma sociedade futurística onde os livros eram proibidos. Mumford lembra a dificuldade da ideia de conjugar essa caracterísitca num mundo de informações altamente espalhadas pela internet – ainda que se esteja muito longe de nos vermos livres do totalitarismo. Na nova adaptação Bahrani propõe que todas as formas de comunicação escrita estão banidas – e esta só é possível por “emojis” controlados por uma unidade central. Não deixa de ser uma transformação sugestiva para a era dos Facebooks e Whatsapps…

 

The Load: obra do sérvio Ognjen Glavonic da Quinzena das Realizadores que tem um ponto de partida mais que sugestivo: o transporte de cadáveres em caminhões frigoríficos vindos do Kosovo para serem jogados numa vala comum nos arredores de Belgrado. A maior parte do filme é um “road movie” e acompanha o motorista do caminhão na sua viagem – que Carlos Heredero (Caimán Cuadernos de Cine) vê como uma “ressonante metáfora do peso trágico que deve suportar a consciência crítica do seu país”. Glavonic baseou-se num acontecimento verídico, ocorrido em 2001 (a descoberta das tais valas), que ele já havia abordade num registo documental dois anos antes (“Depth Two”).

 

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CANNES – DIA 6 (13/05)

 

Murder me Monster (foto acima): parece que Cronenberg encontrou Borowczyk no segundo filme de Alejandro Fadel (agumentista de Pablo Trapero e pela segunda vez em Cannes – “Los Salavajes” esteve na Semana da Crítica em 2013). A história passa-se num local remoto nos Andes e dois homens investigam assassinatos cometidos contra mulheres – onde as cabeças destas são arrancadas do corpo. Segundo o Cineuropa o humor com terror (a criatura é esplendorosamente abjeta) funciona lindamente nesta obra exibida no âmbito d'A Certain Regard.

 

De resto, a melhor descrição é de Carlos Heredero, para o Caimán Cuadernos de Cine: “O marido de uma das vítimas e, sobretudo, o peculiar e obcecado policia que conduz a investigação emergem como personagens tão obscuros como inquietantes de um filme de monstro (uma criatura cujo rosto tem forma de vagina dentada e cuja longa cauda conclui-se com formato de glande) que fala do medo do desconhecido e da angústica que isto provoca quando este terror convoca todos os fantasmas interiores”.

 

Mas no final da crítica ele não gostou, ao contrário de seu colega de equipa Ángel Quintana, que escreveu: “Não há intriga, apenas situações oníricas, muita chuva, obscuridade e muitíssima loucura e o monstro do título com forma de vagina dentada. Há inspiração, muitas dúvidas (…) mas uma clara vontade de busca. No final da história Bruno Dumont acaba cruzando-se com Carlos Reygadas e o coquetel não poderia ser mais surpreendente”.

 

As críticas completas podem ser lidas aqui: https://www.caimanediciones.es/cannes-2018-en-tiempo-real-la-opinion-de-la-critica/

  

CANNES – DIA 7 (14/05)

 

The House that Jack Built: o grande drama da expectativa em torno de um filme de Lars von Trier é que a obra nunca vem desacompanhada de uma desagradável perfume de autopromoção e sensacionalismo – que, a exemplo do que aconteceu em “Ninfomaníaca”, o cineasta parece ter tentado mitigar com a inclusão de citações culturais diversas, perspetivas insólitas e “filosofias” alternativas. E para “chocar”, depois do sexo (deserotisado, diga-se, no caso do primeiro) agora vem o “ultra-gore” – algo que funciona melhor nos festivais como elemento de choque do que nos eventos dedicados ao “cinema de terror”.

 

O filme foi comparado a “Henry, Retrato de um Assassino”, um brutal exercício de John McNaughton dos anos 80, onde o que chocava não era a violencia explícita, mas a crueza do relato e a falta de emoções do assassino. Matt Dillon encarna um “serial killer” que faz um “mea culpa” numa narrativa que segue os passos de “Ninfomaníaca”, com divisões em capítulos, “flashbacks” e um interlocutor. A crítica, claro, dividiu-se – onde o ego do realizador e a “chatice” do filme lideraram os argumentos de ataque. A de Owen Gleiberman, da Variety, define o que parece estar em causa: “está a meio caminho entre um bom filme subversivo e um truque”.

 

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The Harvester (foto acima): uma quinta nos confins de uma terra “afrikaner” na África do Sul não é lugar para os fracos. Um jovem de 15 anos, no entanto, parece ter a força, mas esbanja vulnerabilidade e beneficia de um retrato cru do cineasta de origem grega Etienne Kallos. O  crítico Boyd van Hoeij (Hollywood Reporter) considerou uma estreia brutal (ideia semelhante a da Variety), que construiu um filme que vai lentamente num crescendo até tornar-se numa sufocante versão do mito de Caim e Abel na paisagem remota onde o enfoque é em torno da crise da masculinidade. Exibido no âmbito d’A Certain Regard.

 

Asako I & II: Os críticos não se entenderam sobre a validade da proposta de Ryusuke Hamaguchi, numa obra aparentemente condenada a ser das menos lembradas da Seleção Oficial deste ano. Trata-se de uma “love story”, onde uma jovem tem um romance com um rapaz que desaparece da sua vida. Dois anos depois ela encontra outro parecido, mas com comportamentos diferentes. Houve quem achasse o formato “ultrapassado” e outros que salientaram que a história era baseada na “indefinição”, mas também salientou-se a leveza e a eficácia da história. O realizador deu nas vistas em Locarno em 2015 com “Happy Hour”, obra com cinco horas que despertou um grande “hype” na altura.

 

The State Against Mandela and the Others: no Centenário do nascimento de Nelson Mandela Cannes apresenta uma Sessão Especial a este documentário feito pelos franceses Nicolas Champeaux e Gilles Porte. A dupla mergulhou num complexo julgamento, o de Rivonia, nos anos de 1963 e 1964, onde o regime do “apartheid” veio a condenar Mandela e sete seguidores a prisão perpétua por “sabotagem”. A dupla usou descobertas recentes de ficheiros de áudio, que misturou com animações desenvolvidas pelo artista holandês Oerd van Cuijlenborg. O resultado, segundo o Hollywood Reporter (Stephen Dalton) é “very stylish”.

 

Little Tickels (foto abaixo): A Certain Regard também apresentou o francês “Little Tickels”, onde Andréa Bescond e Eric Metayer surgiram com uma adaptação da peça com a qual eles tiveram grande sucesso nos palcos franceses. O filme não foi muito bem recebido na sessão – a estas alturas aparentando isso ter acontecido porque a proposta cinematográfica do filme é alcançar um público alargado – o que eventualmente choca com os desejosos de surpresas estilísticas. A obra gira em torno de um caso brutal de pedofilia e abuso infantil, onde um homem amigo da família molesta durante anos uma menina, a partir dos seus oito anos de idade. Para fugir a este passado horrível ela migra para Paris e vai parar à uma companhia de dança, mas os seus fantasmas não a deixam fugir facilmente. Os vai-e-vens entre presente e passado também aborreceu os mal-humorados.

 

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CANNES – DIA 8 (15/05)

 

Solo: Star Wars Story. A incursão de Cannes no “pop” infanto-juvenil foi descrita assim por Ángel Quintana (Caimán Cuadernos de Cine): “Há um diferença essencial entre as lojas que vendem produtos de temporada e os “outlets”. Pode-se estabelecer esta diferença entre os capítulos originais de “Star Wars” das suas franquias (…) que vem determinadas pelo desejo de obter lucro a partir de personagens que abrem caminho a outras possíveis histórias (…). No entanto, os “outlets” que nos oferecem as sagas não são nenhuma mercadoria valiosa, mas sim produtos em saldo. “Solo” é bastante pior que “Rogue One” (…). O resto não é mais um compêndio de cenas de ação rodadas de forma vulgar e sem nenhuma inspiração”. (Crítica completa, curta e grossa em: https://www.caimanediciones.es/cannes-2018-en-tiempo-real-la-opinion-de-la-critica/)

 

Fugue: pela Semana da Crítica passou o segundo filme da polaca Agnieszka Smoczynska, que havia surpreendido o mundo em 2016 com um filme musical… com sereias (“Lure”). Aqui o investimento é num drama com um ponto de partida sugestivo: uma mulher ressurge do nada após dois anos e descobre-se que perdeu totalmente a memória. É enviada de volta para a casa da família, mas não reconhece ninguém. A protagonista é antipática, o que vai mudando na medida em que alguns momentos do passado vão retornando. Agradou críticos da Variety (Guy Lodge disse que, a partir daqui, distribuidores, vendedores e público seriam “espertos” em seguir a obra) e Diogo Lerer, do “blog” Micropsia.

 

Under the Silver Lake (foto abaixo): O “spider man” Andrew Garfield protagoniza o esperado filme com que David Robert Mitchell sucedeu seu muito consensual e consagrado “Vai Seguir-te”. Presente na Competição Oficial, ainda conseguiu agradar uma parte da crítica, mas desagradou bastante a outra parte. Conta a história de um jovem desocupado que, após o desaparecimento de uma mulher que nadava na piscina do seu edifício, arranja um motivo para viver e sai por Los Angeles afora à procura de respostas. No caminho coleta pistas que podem ser parte de uma enorme conspiração ou não ser coisa nenhuma – em obra que já foi comparada a “Mulholland Drive” (não propriamente sob uma luz positiva).

 

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Carmen & Lola: uma das propostas espanholas em Cannes – parte da Quinzena dos Realizadores. É a estreia da realizadora de Bilbao Arantxa Echevarría nas longas-metragens de ficção, que debruça-ss sobre um romance lésbico dentro de uma comunidade cigana dos arredores de Madrid. Como se poderia advinhar, o conflito é óbvio, uma vez que a homossexualidade é vista como uma doença ou uma forma de “possessão demoníaca” dentro de uma sociedade fortemente patriarcal. Em geral bem recebido – fez-se no entanto referência ao facto de prevalecer os talentos da cineasta para o documentário (utiliza também atores não-profissionais), as fragilidades da organização dramática do filme e um final de contos de fadas inconcebível com o seu tom de realismo social.

 

At War: Stephane Brizé aborda o tema da luta sindical e da ganância do capitalismo através de uma história onde uma grande empresa alemã em território francês decide fechar portas. Milhares de trabalhadores ficam no desemprego e começam a luta. O tema é comum a “Lei do Mercado”, seu antepenúltimo filme estreado em Portugal em 2015. O realizador adotou um estilo de câmera na mão e imagem granulada para dar um tom realista – embora alguns críticos tenham reclamado que esta técnica é incompatível com a forma com que o cineasta aborda a presença de um astro francês, Vincent Lindon – que tem de aparecer sempre como o líder. O final a “mártir” também irritou algumas almas pensantes. O filme da Competição Oficial não parece ter entusiasmado muito na Croisette em geral, embora veículos como Variety e Hollywood Reporter tenham dado uma avaliação positiva.

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por Roni Nunes às 21:12

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  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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