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Crítica: «Aquí no Há Pasado Nada"

por Roni Nunes, Segunda-feira, 11.12.17

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Há um facto “sociológico” por trás da existência do filme que abriu a Mostra de Cinema Ibero-Americana – variação da habitual Mostra da América Latina que este ano inclui os países ibéricos. “Aquí no Ha Pasado Nada” foi financiado parcialmente por um regime de crowdfunding: por outras palavras, um largo grupo de investidores comuns quis que se contasse no cinema uma história em torno do filho do senador Carlos Larraín, Martín. E qual era ela? Essencialmente Martín tomou parte num atropelamento que contou com embriaguez e morte – com consequências ambíguas. Aconteceu no Chile, em 2013.

 

Alejandro Fernandez Almendras, no entanto, debruçou-se sobre os acontecimentos à sua própria maneira. Mais que os trâmites legais, twists intempestivos ou formalizações académicas, interessou-lhe um retrato dos jovens envolvidos – particularmente a quem cabe os maiores dilemas, Vicente Maldonado (Augustín Silva), amigo do principal acusado. Segundo as autoridades, baseado nos testemunhos dos “amigos”, ele é suspeito de estar a conduzir o carro no momento do acidente. Diante da sua inércia, acreditando que o facto de saber a verdade é o suficiente, o seu advogado concede uma dádiva de sabedoria ao novato: “Só é verdade o que pode ser provado”.

 

Assim há esse protagonista algo ingénuo, não propriamente má pessoa, que gosta de beber, ir a festas e ter relações sexuais com uma “amiga”. A câmara não pára, o fundo desfocado é recorrente, muita coisa dissolve-se na escuridão da noite; essa “perseguição” estilística é a forma escolhida por Almendras para criar um mundo de vontades etéreas, não muito ferrenhas, por vezes francamente fútil. O cineasta recorre ainda à reprodução de SMS no ecrã – criando um artificialismo que quase passa desapercebido pelas sensibilidades atuais.

 

O que não é vaga é a forma como o advogado da família poderosa estabelece uma longa analogia para convencer Vicente, com o seu pai ausente, a dar-se como culpado de algo que não fez. São os “tweets” a colher a voz generalizada da indignação. É desta forma que “este país de mierda”, como escreve alguém, parece-se com todos os outros.

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por Roni Nunes às 20:01

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Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



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