Um totó, um caixão e um mundo de personagens “exóticos” numa terra estranha. São os elementos necessários para se propor uma comédia – embora ainda assim bastante “contemplativa” para certos padrões.

 

Isidoro (o “Easy” do título, interpretado por Nicola Nocella) é um ex-automobilista premiado e agora deprimido a tal ponto que nem na “Playstation” consegue vencer o irmão – por falta de motivação... Este último, pelo contrário, anda nas duras lides não-muito-legais e acaba por ter em mãos um grande imbróglio: um operário ucraniano morto cujo corpo tem de devolver à “proveniência”. Quando um sócio pergunta se “tem certeza que … é a pessoa certa para o trabalho”, ele afirma taxativamente que sim quando qualquer um pode ver que não...

 

Claro que a viagem pela Hungria e a gigantesca e gelada Ucrânia será cheia de efemérides. Ao perfil “low profile” do protagonista soma-se a incomunicabilidade linguística – aos quais somam-se alguns “gags” com o uso da tecnologia e várias situações caricatas.

 

Mas Andrea Magnani, realizador e argumentista, também salienta a generosa tenacidade de um homem viciado em comida e comprimidos. Aquilo que na Itália é apenas um cadáver para se ver livre o mais rápido possível, do outro lado da fronteira ele era um ser humano cuja ausência/presença era sentida - e a quem Easy tenta fazer justiça.

 

Longa-metragem de estreia de Magnani, uma rara coprodução entre Itália e Ucrânia.