Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Setembro 2017

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930


Pesquisar

 


Motelx 2017: os 10 melhores filmes de Roger Corman

por Roni Nunes, Terça-feira, 26.09.17

Galeria disponível em SAPO MAG - http://mag.sapo.pt/cinema/atualidade-cinema/fotos/motelx-os-10-melhores-filmes-de-terror-do-mestre-roger-corman

 

OS DEZ MELHORES FILMES DE TERROR DE ROGER CORMAN

 

O produtor/realizador estará no Motelx – que decorre entre 5 e 10 de setembro. O SAPO MAG foi revisitar as obras do artista, famoso pelos seus milagres artísticos a partir de orçamentos insignificantes e prazos reduzidos e apostar num Top que ainda deixa de fora trabalhos como “The Premature Burial” e “The Tomb of Ligeia”. Corman trabalhou a maior parte do tempo com a American International Pictures (AIP) e, para além dos inúmeros talentos que depois brilharam na Nova Hollywood, teve uma grande equipa de argumentistas (Richard Matheson, Charles Griffith, Charles Beaumont), diretores de arte (Daniel Haller) e de fotografia (Floyd Crosby, Nicolas Roeg). Também profícua foi a colaboração com Vincent Price, que entrou nos oito filmes do ciclo inspirado em Edgar Allan Poe.

 

 

10 THE RAVEN (1963)

 

O famoso “nevermore” do poema de Poe serve para inspirar a última piada do filme; cansados de terror, Richard Matheson e Corman valeram-se do sucesso dos momentos de comédia de “Tales of Terror” para fugir dos modelos macabros. Mais que comédia negra, aposta francamente no absurdo até chegar, claro, ao “duelo” entre os dois grandes mágicos – Vincent Price e Boris Karloff. Peter Lorre (no papel-título!) completa este Grande Triunvirato da História do Terror.

 

 

9 THE UNDEAD (1957)

 

Um dos melhores esforços de Corman no terreno do “extreme low-budget” com que trabalhava em início de carreira. A AIP atirava para todos os lados e alvo aqui é a “febre” da reencarnação despoletada por caso mediático da altura. Sem se levar muito sério, Corman e seu colaborador mais dado ao humor, Charles Griffith, investem numa movimentada história de “regresso ao passado” que inclui Mefistófeles, feiticeiras, enterramentos vivos, cadáveres para todos os gostos, anedotas diversas e até uma literal “dança macabra”…

 

 

8 THE MAN WITH THE X-RAY EYES (1963)

 

Uma pausa no ciclo poeniano para o dia-a-dia das ruas da metrópole. Um médico (Ray Milland) desenvolve um produto que o faz ver “além” das aparências iniciais. A era dos “cientistas loucos” caminha para a extinção; se o começo parece igual a dezenas de filmes feitos nos 30, 40 e 50 o resto estabelece o projeto mais singular do cineasta. Da ciência para o campo místico – não religioso nem moral, “X” atravessa por circos, mercadores e curandeiros. Corman teve dúvidas ao embarcar para esta viagem: se os recursos técnicos falhassem, o espectador seria enganado. O “Spectorama” (conjunto de recursos óticos) deu à volta a situação, enquanto o final, diferente de outros tempos, demonstra uma visão social muito mais “dark”. Ao que parece os anos 60 não foram “tão dourados” quanto isso…

 

 

7 THE LITTLE SHOP OF HORRORS (1960)

 

Quem esquecerá uma devoradora planta falante desesperada por sangue – especialmente quando as suas palavras geralmente se resumem a um sonoro e ardiloso “feeeed meeee!!!”? “Cult classic” absoluto – com a dupla Griffith/Corman repetindo algumas das ideias de “A Bucket of Blood” (o inadaptado que vira assassino por acaso, o ganancioso que o encobre por dinheiro, ainda que apavorado, o amor platónico do protagonista etc.) para tornar um rumo quase delirante e a beirar o burlesco “chapliniano”.

 

 

6 THE TALES OF TERROR (1962)

 

O original de “The Black Cat” incluía alcoolismo, assassinatos, ocultação de cadáver; inspira (com uma engenhosa inclusão de “The Cask of Amontillado”) o maior dos três episódios de “The Tales of Terror”. No meio desta macabra história há uma impagável cena de humor: Vincent Price, pomposo e efeminado, faz um duelo de degustação de vinho com Peter Lorre – que, apesar de ingerir como um alarve qualquer bebida que se lhe pusessem à frente, sabia diferenciar alhos de bugalhos. Há ainda a mais solene abordagem de “Morella”, abusando da “teia de aranha” para simbolizar o ostracismo do protagonista, ou da degradação cadavérica de “The Strange Case of Mr. Waldemar”.

 

 

5 A BUCKET OF BLOOD (1959)

 

Era fácil ser cínico com a pseudociência (“The Undead”) – mais temerário era ironizar os costumes da prestigiosa geração “beat” na aurora da contracultura. Dick Miller vive um empregado de balcão ingénuo e burro que, ao matar um gato por acidente e cobri-lo com argila, é “descoberto” como um grande artista. Para manter o estatuto, no entanto, precisa arranjar mais “matéria-prima”… Uma cruel demolição da vida dos artistas (a pomposidade, as vaidades, as contradições) misturado com assassinatos em série. Ou, como diz o poeta, que “as suas mesquinhas mortes sejam argila para as suas mãos!”. A salientar apenas que, ao contrário do que diz Corman na sua autobiografia, ele NÃO inventou com esse filme as “comedy horrors” – que já existiam desde os anos 20.

 

 

4 THE HAUNTED PALACE (1963)

 

O mercantilismo da AIP inseriu o filme no ciclo Poe, mas a origem é outra – H.P. Lovecraft. Certamente tem Price assolado por uma maldição (com abertura semelhante a de “La Maschera del Demónio”, clássico de três anos antes de Mario Bava); ela foi lançada pelo seu próprio antepassado, dado a feitiçarias, Joseph Curwen (também Price, obviamente). Este último não tenta apenas apossar-se do corpo do seu inocente herdeiro que observa o seu quadro na sala; antes de morrer um século antes lançou votos de infelicidade eterna sobre todo o vilarejo que o condenou. Entre “fogs” e ruas pouco distinguíveis, aterradores mutantes dão ao filme um tom distinto dos outros projetos do ciclo.

 

 

3 THE PIT AND THE PENDULUM (1961)

 

Uma cópia não tem de ter caráter pejorativo; “House of Usher” definiu os parâmetros, “The Pit and the Pendulum” expandiu-os. Até a mobília do primeiro transitou para recriação no segunda. A ideia inicial é a mesma: um cenário requintado esconde caves (e instrumentos de tortura, neste caso) com raros vislumbres externos. Isso significa novamente os ricos interiores de Haller e os temas pertencentes ao coquetel “poeniano” habitual – com seu protagonista (Price novamente) torturado pela culpa e à beira da desintegração, mais enterramentos vivos e sequências oníricas. Trás ainda um apelo extra – uma pequena participação da musa terrorífica dos 60s, Barbara Steele. O “twist” final é uma pérola de perversidade mórbida.

 

 

 

2 HOUSE OF USHER (1960)

 

Corman percebeu que o mercado de “drive-ins” dos 50s caminhava para o ocaso; com o estatuto em alta, recusou-se a outro dos seus “cheapies” para propor novos horizontes. O resultado foi uma cuidadosa adaptação do conto de Edgar Allan Poe. O filme relacionava a construção visual a um princípio contido no original – a associação entre degradação moral e ruína física. Para contar esta história sem vilões mascarados (“a casa é o monstro”, dizia a Corman para convencer a AIP), reuniu-se o grande naipe de talentos e colaborações que mantiveram-se ao longo dos quatro anos do ciclo que o sucesso do filme originou. Este incluía Haller, Crosby e Matheson – combinados com a música particularmente eficaz de Les Baxter e o uso de quadros impressionistas para reforçar nos retratos a perfídias dos ancestrais de Roderick Usher – uma das melhores composições de Vincent Price.

 

 

1 THE MASQUE OF THE RED DEATH (1964)

 

Da feliz união mercadológica da AIP com a Amalgamated, uma das melhores produtoras de terror britânicas (“The Horrors of Black Museum”, “Peeping Tom”) saiu o maior orçamento de Corman. Melhor uso impossível – nesta obra magistral. Em tempos de Peste (a Morte Vermelha do título), o castelo é o refúgio dos aristocratas pouco recomendáveis, liderados para um incrivelmente pérfido Prospero (Price) em busca de um voluptuoso festim satânico. Mas a “Morte não tem mestre”, diz a própria ao incauto príncipe. Cenários, cores, personagens, história (escrito principalmente por Beaumont, que adoeceu antes de terminar), câmara/luzes (a cargo do genial Nicolas Roeg) – tudo funciona neste pesadelo barroco, amargamente existencial e repleto de poesia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Roni Nunes às 23:38

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Comentários recentes

  • Cleber Nunes

    Sem dúvida é um filme que me despertou interesse ...



Posts mais comentados




subscrever feeds