"Táxi Sófia" é um raro exemplar do cinema do Leste europeu a aportar no circuito comercial português. Estreado na secção A Certain Regard do Festival de Cannes, o filme traz um pouco da vida na capital da Bulgária num ritmo vertiginoso.

 

Trata-se de uma espécie de filme-mosaico e chega a lembrar o polaco “11 Minutos”, de Jerzy Skolimowsky. E que registo propõe Stephan Komandarev, cineasta já com um currículo internacional assinalável?

 

Estilisticamente, trata-se de enfatizar movimento e sufoco, apertando os ângulos dentro de carros, priorizando planos médios e valendo-se, em muitos momentos, de cortes rápidos. O resultado é isso: um Bulgária convulsa – cuja forma está ao serviço de retratar as situações que o demonstram.

 

Tudo se passa na vida dos motoristas de táxi da cidade. Eles conhecem gente capacitada desesperada para emigrar, para se suicidar, a viver na miséria; lidam com uma juventude sem rumo, vingam-se de algozes antigamente confortáveis sob o comunismo e que agora dão lições sobre os “valores europeus”. A ligar um pouco isto tudo está um taxista desesperado que assassinou um banqueiro.

 

 

O tema não é espantoso: os filmes do Leste europeu que têm chegado ao Ocidente, vindos de países como Roménia, Polónia, Rússia, não variam ao mostrar uma espécie de mistura indigesta entre as ruínas do velho mundo comunista e a selvajaria capitalista, sob a sua vertente dominante no momento – a neoliberal. O que liga estes universos é a corrupção.

 

Neste momento, o realizador termina um documentário no qual realiza um episódio ao lado de quatro outros cineastas de diferentes países do Leste europeu. Cada filme terá em torno de 30 minutos e representa as diferentes visões de cada um sobre um episódio fulcral da era comunista e das crenças no socialismo – o Maio de 68 na antiga Checoslováquia.